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Rega filhos com gasolina e ateia fogo à casa em Vagos

Empresário, de 45 anos, pretendia matar os dois menores, bem como a mulher e a sogra. "Morremos todos", disse suspeito.

30 de março de 2026 às 01:30

O empresário maltratava a mulher desde pelo menos 2022 na casa onde viviam, em Vagos. Os episódios de violência envolviam também os dois filhos menores do casal. A 10 de abril do ano passado, o suspeito - de nacionalidade ucraniana - tentou matar a mulher, os dois menores, de 4 e 14 anos, e a ainda a sogra. Diz a acusação do Ministério Público que o arguido regou os filhos com gasolina, bem uma parte da casa e ateou fogo para os matar. Conseguiram todos salvar-se e o suspeito, de 45 anos, está agora a ser julgado no Tribunal de Aveiro. Responde por quatro crimes de homicídio qualificado na forma tentada, três crimes de violência doméstica, um crime de incêndio e um outro de resistência e coação sobre funcionário.

A acusação diz que o arguido decidiu atear fogo à casa após mais uma discussão com a mulher, a quem acusava constantemente de traição. A vítima decidiu depois disso ir à GNR pedir auxílio e foi nessa altura que o empresário decidiu regar parte da casa com gasolina, bem como o corpo e roupas dos dois filhos. A mãe dos menores chegou entretanto a casa e foi nessa altura ameaçada pelo suspeito, que disse que iria matar toda a família. A mulher conseguiu depois refugiar-se num quarto com os filhos e a mãe, tendo chamado a GNR. Foi nessa altura que o arguido ateou o fogo.

A criança mais nova foi salva pela mãe, que atravessou as chamas e ainda sofreu algumas queimaduras. Já a menor mais velha e a avó conseguiram escapar já após a chegada da GNR. Diante dos militares, o suspeito mostrou-se também sempre muito agressivo e tentou a todos o custo impedir que a família fosse salva. O empresário também ateou depois fogo a dois carros na garagem. Ainda lançou gasolina na direção de um dos elementos da GNR e apontou-lhe um isqueiro. "Eu morro e vocês também, morremos todos", disse o arguido aos militares. 

"Visou o arguido atear fogo naqueles locais, onde sabia estarem refugiadas as vítimas, bem sabendo que a sua conduta era adequada a causar um incêndio de grandes dimensões e, por consequência, causar em todas aquelas vítimas lesões físicas adequadas a provocar-lhes a morte, resultado esse que previu e quis atingir, o que só não sucedeu por razões alheias à sua vontade", lê-se na acusação do Ministério Público.

O processo relata ainda vários episódios de maus tratos. Ainda durante a gravidez do filho mais novo, o arguido rejeitou dar auxílio à mulher, que estava a sangrar. Numa outra situação agarrou a vítima pelos cabelos e disse que ia fazer dela uma vassoura para limpar o chão. Também impediu que o filho doente fosse para o hospital numa altura em que estava doente, tendo feito várias ameaças de morte. O suspeito está em prisão preventiva.

Ministério Público pede indemnização

Na dedução da acusação, o Ministério Público pediu já que em caso de condenação seja atribuída uma indemnização às vítimas pelos danos causados. Diz a procurado que a mulher e os dois filhos sofreram "tristeza, vergonha e humilhação" com os atos praticados.

Está preso na cadeia de Aveiro

O empresário, de nacionalidade ucraniana, vive em Portugal desde 2001. Depois de tentar matar a família, o homem foi detido e presente a um juiz de instrução criminal. Encontra-se desde então em prisão preventiva na cadeia de Aveiro.

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