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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

SEX SHOP REVOLTA PAIS DE RIO MAIOR

A abertura, ontem, em Rio Maior, de uma ‘sex shop’ está a gerar revolta junto de alguns populares. Em causa, a venda de artigos eróticos e material pornográfico (revistas e filmes) a menos de 300 metros da escola Fernando Casimiro, onde estudam crianças desde os primeiros anos do ensino básico até ao 9.º ano.

26 de outubro de 2003 às 00:00

“Podem ocorrer situações de assédio sexual. E se aparecerem indivíduos a mostrar brinquedos sexuais às crianças e a convidá-las para irem dar um passeio de carro?”, questiona João Levezinho, sustentando que a localização da ‘sex shop’ viola a legislação em vigor, pois encontra-se a 120 metros da escola e não a mais de 300.

O presidente da autarquia, Silvino Sequeira, confirma estes dados mas diz que “não está na jurisdição da câmara encerrar o estabelecimento”.

Contudo, após “ter sido alertada pelo conselho executivo da escola e pela associação de pais a autarquia avisou a Direcção-Geral de Comércio e Concorrência e a Inspecção-Geral de Actividades Económicas sobre a possiblidade de abertura de uma ‘sex shop’ a menos de 300 metros de uma escola”, informou fonte da câmara. “Amanhã, a câmara vai entrar de novo em contacto com estas entidades para que seja cumprida a legislação em vigor”, acrescentou.

André Vieira, um dos proprietários, soube pelo CM a posição da autarquia e confessou estar “surpreendido e desanimado”. “Amanhã voltamos a abrir a loja. As autoridades ainda não comunicaram nada”, acrescentou este jovem de 22 anos, que com o seu irmão Gil, de 19 anos, abriram este espaço.

‘lingerie’ comestível...

“Temos as licenças necessárias. Não vendemos nada ilegal e é expressamente proibida a entrada a menores de 18 anos”, acrescentou Gil Vieira. Registe-se, a título de curiosidade, que no primeiro dia de funcionamento da “Ousadia” o produto mais procurado foi a ‘lingerie’ comestível. Segundo Gil Vieira, entraram ontem na loja mais de 300 pessoas.

MARÍLIA CARREIRA - PROFESSORA

“Não tem cabimento a localização de uma‘sex shop’ perto de uma escola. Penso que, apesar de a loja não autorizar a entrada de menores, a sua proximidade irá aumentar o absentismo escolar, uma vez que este estabelecimento de ensino é frequentado por adolescentes na idade do despertar da sexualidade”.

MANUEL TAVARES - EMPRESÁRIO

“Com tantos locais para abrir uma loja de artigos sexuais, não há explicação para terem autorizado a sua abertura próximo de uma escola. Podiam, por exemplo, abrir perto da minha casa, no prédio onde eu moro, ou onde é a minha firma, mas não perto de uma escola”.

PAULO COSTA - COMERCIANTE

w“Como pai, embora os meus filhos ainda não tenham idade para frequentar esta escola, preocupa--me a existência de uma loja de venda de material pornográfico próximo de uma escola. Como é possível esta inauguração se, por exemplo, lojas de venda de bebidas alcoólicas não podem existir aqui?”.

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