Profissionais ponderam avançar com um pré-aviso de greve.
O Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa (RSBL) enfrenta "um desnorte total na organização interna" e está em causa o socorro na cidade, alertaram esta segunda-feira a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais e o Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais.
"Isto está insustentável e está na altura do senhor presidente da Câmara [de Lisboa, o social-democrata Carlos Moedas] tomar uma decisão. Neste momento, não pode dizer que desconhece a situação", afirmou o presidente do Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais (SNBP), Sérgio Carvalho, em declarações à agência Lusa, após a divulgação de um comunicado conjunto com a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP).
No comunicado, a ANBP e o SNBP reiteram as denúncias quanto aos "sucessivos atrasos" nos concursos de promoção, na aquisição de fardamento e no reequipamento operacional dos bombeiros do RSBL, referindo que essas situações têm sido repetidamente comunicadas à Câmara de Lisboa, mas "continuam sem resposta".
"Há um desnorte total na organização interna do Regimento [...] havia o compromisso da Câmara de corrigir tudo isso", declarou Sérgio Carvalho, lembrando que em novembro os bombeiros do RSBL avançaram com uma greve, que acabou por ser suspensa após uma reunião "muito positiva" com o vereador da Proteção Civil, Rodrigo Mello Gonçalves (IL).
Passados dois meses, "muitas das questões" que motivaram a greve em novembro não foram resolvidas, nomeadamente a falta de fardamento e a desorganização interna relativamente aos concursos de promoção, indicou o presidente do SNBP.
Por isso, os bombeiros do RSBL ponderam avançar com um pré-aviso de greve, decisão que será tomada após reunião geral, "possivelmente ainda durante esta semana", para avaliar as várias formas de luta.
"Não podemos aceitar em pleno século XXI ver bombeiros do RSBL a prestar serviço à população de Lisboa mal fardados, mal equipados", reforçou Sérgio Carvalho, adiantando que "mais de 10% do efetivo", num universo de cerca de 1.000 operacionais, têm falta de fardamento, inclusive fatos de chuva, roupa para o frio e capacetes.
Além disso, "uma grande parte" dos bombeiros anda com material em segunda mão e usado, indicou o sindicalista, questionando se este fardamento está em condições de garantir a proteção individual dos operacionais, "a nível de garantias e no âmbito de higiene e segurança no trabalho e das regras de manutenção desses equipamentos".
Há viaturas do RSBL que não têm câmaras de imagem térmicas "há mais de um ano", denunciou ainda, referindo que este equipamento é essencial para a eficácia do socorro e segurança dos bombeiros, em particular na resposta a incêndios para encontrar vítimas em ambiente totalmente enfumados.
"Isto, mais tarde ou mais cedo, vai-se refletir no socorro e já se reflete, com uma grande inoperância no serviço e na desorganização, porque nós não sabemos sequer qual é a organização do Regimento, dos efetivos, o que é que está previsto para o Regimento", criticou.
Outro dos problemas é o atraso nos concursos de promoção de chefias, "que já se arrastam há quase quatro anos", apontou o responsável do SNBP, criticando a ausência de informação sobre quais os critérios técnicos ou operacionais para as promoções, assim como a definição do número de vagas e para que categorias.
Sérgio Carvalho lamentou também que os operacionais sejam "informados em cima da hora" quanto às promoções, tendo sido comunicado que esta segunda-feira os chefes de 2.ª classe seriam promovidos a chefes de 1.ª classe, o que acabou por ser adiado para terça-feira.
"Antigamente eram cerimónias com dignidade, com a presença do senhor presidente de câmara ou do senhor vereador. Estamos a falar da categoria de chefias e outras dentro do Regimento, estamos a falar de bombeiros com 40 anos de casa, que obrigava a ter uma outra dignidade e uma outra organização", considerou.
A ANBP e o SNBP pediram "há várias semanas" uma nova reunião com o vereador da Proteção Civil, mas até agora não houve resposta.
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