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Emocionado, Jorge Gabriel entra na Capelinha das Aparições e pede privacidade. O apresentador de televisão está no Santuário de Fátima como peregrino e reza aos pés da Virgem. Pelas 17h40 de ontem terminou a sua primeira peregrinação a pé, de mais de 200 quilómetros, iniciada em Santo Ovídeo, Gaia, quatro dias antes.
"Sinto uma comoção normal. Aquilo que se sente num lugar de tanta importância para aqueles que acreditam que a bondade ainda é o melhor dos sentimentos para com os outros, próximos ou mesmo os que não simpatizam connosco", explicou ao CM Jorge Gabriel, 41 anos, também treinador de futebol.
No final da peregrinação, organizada pela Associação Obra de Bem Fazer e que envolveu onze pessoas, o apresentador – que optou sempre pela discrição – sentia-se "mais completo como ser humano, como respeitador de um lugar [o Santuário] que está para além dos compêndios científicos".
Quase três horas antes de chegar ao Altar do Mundo – quando os 80 mil fiéis participantes na Peregrinação do Migrante e do Refugiado abandonavam Fátima –, Jorge Gabriel partia para a última etapa da jornada, iniciada pelas 16h00 de domingo, sob um sol abrasador. Próximo de Santa Catarina da Serra, explicou as razões da sua peregrinação: "Venho agradecer a Nossa Senhora o modo de vida que tenho. Entre o deve e o haver, tenho sido muito beneficiado."
As maiores dificuldades que sentiu "foram as dores físicas, musculares e nos pés". O apresentador de televisão, que faz exercício três vezes por semana, não se preparou para a peregrinação, mas aconselha o contrário: "É bom fazer umas caminhadas de preparação, porque envolvem músculos que não são usados noutros exercícios."
Quanto a repetir esta experiência, que envolveu "muita amizade e solidariedade", Jorge Gabriel afirma, sem hesitar: "Penso voltar a fazer uma peregrinação a pé."
QUEIXOU-SE POUCO DURANTE TODA A JORNADA
Quando pensou na peregrinação, Jorge Gabriel não hesitou em pedir ajuda ao seu amigo António Paulino. Sabia que teria todo o apoio. Contactada a Associação Obra de Bem Fazer, habituada a organizar peregrinações até Fátima, em Maio, com 550/600 pessoas, estavam reunidas as condições para evitar contratempos. "O Jorge é o nosso camisola amarela", diz António Paulino, destacando a ajuda que tiveram dos bombeiros e da Câmara de Pombal ao longo da jornada. O apresentador destaca "a preciosa ajuda dos que montaram esta operação, os novos amigos que permitiram uma experiência inolvidável. No fundo, com estas pessoas, não é de estranhar este altruísmo, esta solidariedade". Enquanto trata dos pés doridos e feridos do apresentador, num momento de descanso, o médico de serviço, dr. Paulo, salienta: "Ele é muito bom doente, é muito pouco queixoso. Ganhei nestes dias uma proximidade, uma intimidade com ele, que muitos não têm."
OFERTA DE TRIGO PARA AS HÓSTIAS ESTÁ EM QUEDA
A oferta de trigo é um dos momentos distintivos desta peregrinação. A tradição começou em 1940 e repete-se sempre a 13 de Agosto. No ano passado foram oferecidos 5543 quilos de trigo ao Santuário, enquanto no ano anterior tinham sido 7059 quilos. O cereal é usado para produzir, em Fátima, as hóstias consumidas no Santuário e as oferecidas às comunidades religiosas que colaboram com a instituição. Nesta peregrinação, a GNR não registou casos de pessoas perdidas, nem quaisquer furtos. Apenas houve dois extravios de carteiras. Não houve congestionamentos de trânsito e o calor, apesar de muito forte, também não causou problemas.
MENOS FIÉIS NO SANTUÁRIO
A Peregrinação do Migrante e do Refugiado, que ontem terminou, contou com a presença de menos 20 mil fiéis do que em 2008, quando estiveram na Cova da Iria cem mil pessoas. Para este fim-de-semana, sobretudo amanhã, espera-se uma grande afluência. Na homilia, o bispo auxiliar de Porto Alegre, Brasil, D. Alessandro Ruffinoni disse que "o migrante não pode ser considerado um problema, nem pela Igreja, nem pelo Estado que o acolhe", destacando que é "uma riqueza de grande valor que devemos agradecer a Deus". "Como Igreja, devemos nós primeiro dar o exemplo para uma melhor acolhida, ajudando os fiéis a superar os preconceitos", referiu o prelado, concluindo que "o migrante não é um estrangeiro, mas um mensageiro de Deus, que surpreende e rompe a regularidade e a lógica da vida quotidiana".
PORMENORES
BICICLETA
Esta não foi a primeira peregrinação de Jorge Gabriel. No passado foi até ao Altar do Mundo em bicicleta. A jornada demorou dois dias e meio e envolveu outros quatro ciclistas. Foram meios diferentes para motivações iguais.
O apresentador contou a sua experiência no Facebook, onde anotou os aspectos mais curiosos, alguns dos quais ilustrados com fotografias. Quis sentir-se sempre como um peregrino e não deixou que a organização lhe desse condições especiais.
AGRADECER
"Mãe, vimos aqui agradecer-te as graças que nos concedeste", lia-se na t-shirt que o apresentador vestia. Usou ainda um lenço com a inscrição "Nossa Senhora dos Remédios/Associação Obra de Bem Fazer", óculos e boné.
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