Tripulações da TAP que estavam no hotel Intercontinental mostram alívio e cansaço no regresso do Brasil.
"Vi um homem ser morto da janela do quarto do hotel. É uma imagem que nunca vou esquecer." Marta Cohen era ontem simultaneamente a imagem do cansaço e do alívio. A comissária de bordo da TAP integrou a primeira das duas tripulações da companhia aérea a chegar a Lisboa, depois das horas de terror vividas no Hotel Intercontinental, no Rio de Janeiro.
"Foi complicado, mas o voo decorreu sem problemas", complementou Nuno Nogueira, chefe de cabine no voo 178 da TAP, que aterrou perto das 08h00 de ontem no Aeroporto da Portela, em Lisboa. "Recordo como uma emoção o que se passou connosco. Já passou", frisou Nuno Nogueira.
O regresso a casa pareceu ser, de facto, o que mais animou os elementos da TAP que anteontem estiveram sequestrados. "Agora só quero chegar a casa, abraçar os meus filhos, e descansar. Nunca mais fico naquele hotel", assegurou Marta Cohen.
As primeiras memórias da comissária de bordo sobre o sequestro remontam às 06h00 de sábado, (10h00 em Portugal), quando acordou sobressaltada pelo som de disparos. "Fui à janela e recordo ter visto tudo cheio de polícias", descreveu. A violência era já descontrolada, como o prova a morte que a comissária de bordo garante ter observado ao longe. "Na rua, assaltantes puxaram um homem de um carro e deram-lhe um tiro. Mataram-no", explicou.
Duas horas depois, Marta e colegas da TAP saíram dos quartos e desceram à recepção. Foi então que a comissária de bordo deu "de caras com pelo menos três assaltantes". Os suspeitos tinham acabado de entrar no hotel, em fuga à polícia. "Eram dez e pareciam estar divididos em dois grupos de cinco. Os que vi estavam armados e olharam para mim de frente", descreveu. Por essa altura, já equipas do Batalhão Operacional (BOPE) da Polícia Militar tinham tomado de assalto o hotel, o que motivou a fuga desenfreada dos ladrões no interior do Intercontinental.
Os cerca de 30 portugueses apanhados no confronto foram, entretanto, conduzidos para um salão de refeições do hotel. "Foram cozinheiros e outros funcionários a conduzir-nos. Passámos uma hora e 45 minutos no interior deste recinto, até que o BOPE nos foi libertar. Tivemos de fazer o maior dos silêncios", sublinhou. Sãos e salvos, os portugueses foram depois interrogados pela Polícia brasileira.
PORTUGUESA DEPÕE NA PRESENÇA DE CÔNSUL
Um responsável da polícia do Rio de Janeiro confirmou que uma portuguesa integrava o lote de 35 pessoas feitas reféns, e que prestou depoimento acompanhada do cônsul de Portugal no Rio de Janeiro, António Almeida Lima.
Segundo o mesmo responsável, durante todo o tempo que durou o sequestro, os criminosos não fizeram mal a ninguém. "As pessoas disseram-me que não foram maltratadas e que eles prometeram não fazer mal a ninguém. Mas o pânico era bastante grande entre as pessoas", disse.
HÓSPEDES CANCELAM RESERVAS NO HOTEL
Mais um domingo de sol no Rio de Janeiro e a aparente tranquilidade em São Conrado não conseguiram disfarçar o clima de medo e insegurança dos moradores do bairro, após o tiroteio entre 60 elementos da favela da Rocinha e a polícia, bem como a invasão do luxuoso Hotel Intercontinental. Uma mulher morreu e vários portugueses ficaram retidos no hotel, tendo uma tripulante da TAP sido feita refém.
As marcas da violência urbana estão por toda a parte e, um dia após os incidentes, ainda era possível encontrar várias munições na rua. A Polícia Militar reforçou o policiamento nas favelas da Rocinha e Vidigal, mas era evidente o medo.
Embora o ar de normalidade seja aparente, o hotel Intercontinental registou 73 cancelamentos de reservas, não só por parte dos hóspedes já instalados, como também dos que estavam ainda para chegar.
Na famosa avenida Aquarela do Brasil, onde estão localizados alguns dos mais luxuosos condomínios da zona, e que serviu de ponto de fuga para os criminosos, teve ontem lugar a 14ª edição da Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, que reuniu cerca de 19 mil atletas de todo o Mundo. Estes percorreram um traçado que passava bem perto da Rocinha e Vidigal, sem problemas, mas poucos foram os espectadores que se atreveram a acompanhar a corrida no local.
Somente a partir do bairro do Leblon até o Aterro do Flamengo, onde estava a zona de meta, a multidão apreciou de perto a prestação dos corredores, em especial o casal de quenianos Joshua Kemei e Eunice Kirwa, casados, que ganhara.
GUERRA SANGRENTA PODE ABALAR FAVELAS
Corre a tese de que os movimentos de ‘Nem’, que participava numa festa, foram denunciados à polícia por um rival do alegado líder do tráfico de droga nas duas favelas .
José Valdir Cavalcante, conhecido por ‘Zé da Rádio’, presidente da Associação de Moradores do Vidigal, terá sido expulso no dia anterior da favela depois de se desentender com ‘Nem’, não sem antes jurar vingança. Coincidência ou não, já corre o rumor de que pode estar prestes a começar um confronto armado entre os grupos liderados por ‘Nem’ e ‘Zé da Rádio’.
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