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“Só vi as chamas por cima de mim”

"Estava a jogar às cartas e não prestei atenção ao que aconteceu. Só vi as chamas por cima de mim e fugi a correr para a rua." As palavras são de Maria da Conceição, 67 anos, que, tal como o marido, António Miranda, de 68 anos, sofreu queimaduras no rosto e nas mãos, anteontem ao final da noite, após uma explosão em Casal de Casalinho, Malveira. A explosão provocou mais seis vítimas, todas da mesma família. Na sua origem, estará uma fuga de gás de uma botija instalada próximo de um forno de lenha. <br/><br/>

06 de fevereiro de 2012 às 01:00

Dos oito feridos, entre os 50 e os 60 anos, um foi assistido no local, dois deslocaram-se pelos seus próprios meios ao Centro de Saúde de Mafra e cinco foram transportados para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Quatro tiveram alta ainda durante a madrugada. O ferido que inspirava mais cuidados passou a noite no hospital em observação e, segundo familiares, deverá regressar em breve a casa.

Herculano Neves festejava 69 anos e o genro 34. Juntaram a família na garagem, que serve de anexo à casa onde vão passar os fins-de-semana. Com o frio que se fazia sentir, Herculano e a mulher, Palmira, acenderam o forno a lenha logo de manhã. À noite, cerca de 30 pessoas jantaram no anexo. A seguir, "os mais velhos foram jogar às cartas para junto do forno a lenha e os mais novos estavam a ouvir música da parte de fora", explica ao CM Adelaide Crispim, 66 anos, ainda abalada com o que aconteceu.

"De repente, saíram chamas enormes do forno e logo a seguir foi a explosão", explica Sebastião Santos, 68 anos, marido de Adelaide, que não sofreu ferimentos porque estava na rua: "A minha aflição foi ir lá dentro buscar a minha mulher".

"Os meus pais estão em choque com o que aconteceu", conta Ana Rodrigues, filha de Herculano Neves, que estava ontem inconformado com o sucedido. Parco nas palavras e ainda em choque, fez apenas um lamento: "Isto custa muito."

"INVESTIGAÇÃO PODERÁ EXPLICAR EXPLOSÃO"

"Recebemos o alerta, cerca das 23h10, para o rebentamento de uma botija de gás", explica Miguel Oliveira, comandante dos Bombeiros da Malveira.

"Quando chegámos, verificámos que realmente tinha havido um rebentamento, mas se foi devido a uma fuga de gás só uma investigação o poderá dizer", afirmou. As operações de assistência e transporte dos feridos só ficaram terminadas cerca de duas horas depois. "Nesta zona, é habitual as pessoas utilizarem os anexos como salas, onde colocam fornos e lareiras, e ontem fazia muito frio, com temperaturas negativas", descreve Miguel Oliveira.

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