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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Swing está a aumentar

Neste momento estamos com um grande ‘boom’ no swing em Portugal.” Rafael e Carolina encontram cada vez mais pessoas e mais novas interessadas no meio. O interesse pode ajudar a quebrar um tabu que ainda mantém a actividade ‘camuflada’ em Portugal.

23 de agosto de 2007 às 00:00

O casal, do Porto, esconde-se em nomes fictícios para proteger a sua intimidade, mas vai estar na Expo do Sexo em Portimão, a partir de amanhã e até domingo, para promover o swing e fazer prospecção para hipóteses de turismo swinger no Algarve. Rafael, 36 anos, e Carolina, 32, estão casados há 13 anos e têm uma filha. Há dez anos que falam em “fantasias para apimentar a relação”, mas o que descobriram há cerca de um ano foi “uma filosofia de vida” que enriqueceu – garantem – a relação conjugal.

Começaram por um encontro a três, com uma amiga de Carolina. “Não tive ciúmes”, diz ela. “Foi tudo muito natural”, acrescenta Rafael. Assente numa “cumplicidade muito grande” o casal partiu à descoberta dos horizontes do desejo. Começou por explorar na internet – “faz metade do rastreio”, sublinha Rafael – e procurou também em clubes – Porto, Lisboa e Coimbra – mas a teia que montou é agora de “amigos” com quem se encontram regularmente, sem datas marcadas.

Não estão no swing pelo sexo, para “fazer mais um risco no caderno”. Estão no swing pelo convívio com pessoas que pensam como eles. Por isso, não trocam, partilham. “É uma pena que permaneça um tabu quando enriquece tanto algumas relações”, diz Carolina. Mas acrescenta um aviso: “O swing não foi feito para salvar casamentos.”

TURISMO SWINGER PODE ARRANCAR NO ALGARVE

Rafael e Carolina têm uma dupla missão na área swinger da Expo do Sexo em Portimão: esclarecer as pessoas sobre a actividade e “fazer prospecção de mercado para turismo swinger”.

A rota da partilha de casais em Portugal passa sobretudo por clubes (em Lisboa e Porto e um em Coimbra) e por residências particulares. Rafael revelou ao CM que vai abrir em breve o primeiro clube de swing no Algarve, provavelmente em Portimão. Pensa que falta glamour e classe à maioria dos clubes existentes. “Até podiam praticar um preço mais elevado mas com mais qualidade”, afirma.

O swinger é tipicamente de classe média-alta. Tem poder de compra e essa é uma mais-valia para um turismo direccionado. Rafael não tem dúvidas de que vão surgir parcerias turísticas a partir do clube que vai abrir no Algarve. Comenta que o clima na região é propício e que esta já é destino de férias para naturais de países onde a cultura swinger está mais desenvolvida, como Holanda, Espanha e França. Nesse último país existe há três décadas uma estância (Cap d’Age) vocacionada para o swing.

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