Funcionários da Câmara da Amadora removeram, durante todo o dia de ontem, dezenas de contentores com produtos tóxicos das instalações de um laboratório farmacêutico, abandonado há anos, no centro da Venda Nova. A presença dos químicos no local, desconhecida até agora, foi revelada por um incêndio na quinta-feira à tarde.
“É uma autêntica bomba à espera de rebentar”, garantiu ao CM, durante a manhã, Mário Conde, comandante dos Bombeiros Voluntários da Amadora. “Quando tentávamos controlar o incêndio, um dos produtos químicos reagiu à água e provocou uma nuvem de fumo tóxico.”
Apesar disso, na quinta-feira à tarde, o combate às chamas até foi rápido. Cinco viaturas e doze bombeiros levaram cerca de dez minutos a dominar o fogo que deflagrara num barracão do antigo laboratório farmacêutico ‘Lepetit’, na Rua Doutor Mascarenhas de Melo, uma transversal da Avenida Elias Garcia, a principal da Venda Nova.
“Vi as labaredas e uma nuvem de fumo negro. Os bombeiros mandaram-nos fechar as portas e as janelas”, conta Maria Antónia Martins, que tem uma mercearia em frente à fábrica. Bruno Vieira, responsável de uma loja de produtos informáticos, foi obrigado a retirar o carro por estar demasiado perto do fogo. “Não sabemos o que está ali dentro”, disse.
Segundo Pinheiro dos Santos, comandante da Polícia Municipal da Amadora, foram retirados das instalações do antigo laboratório dezasseis contentores, de mil litros cada, com produtos tóxicos. “Havia ainda mais duas divisões com medicamentos, que foram retirados. No local foram colocados cinco metros cúbicos de material absorvente”, explicou.
O barracão onde deflagrou o incêndio, que tem um sinal de proibição de fogo à porta, deverá ser demolido e o acesso às instalações do antigo laboratório vai ser limitado.
“O máximo que a autarquia pode fazer é emparedar as instalações, para impedir o acesso de estranhos ao local. E isso vai ser feito, o mais depressa possível”, disse Pinheiro dos Santos.
"NÃO SABEMOS O QUE ESTÁ ALI"
Maria Antónia e Maria de Fátima, mãe e filha que trabalham na mercearia, foram das primeiras a chamar os bombeiros. “Vimos as labaredas enormes e o fumo. Depois, vieram os bombeiros dizer que era preciso fechar as portas e as janelas”, conta Maria Antónia, enquanto Lurdes, com os sacos de plástico aos pés, vai concordando com a cabeça.
“Não sabemos o que está ali dentro. Era um laboratório e é possível que tenha lá aqueles produtos perigosos”, diz a cliente. Desta vez, são as donas da mercearia que concordam. Duas portas ao lado, Bruno Vieira pensa no que viu na quinta-feira à tarde. “Não sei até que ponto é prejudicial para a saúde”, diz, junto à rede do laboratório. O barracão ardido é do outro lado. “Tem um cheiro estranho, não tem?”, pergunta.
ESTADO DAS INSTALAÇÕES
PROCESSOS
As instalações do laboratório ‘Lepetit’ foram abandonadas pela empresa há cerca de sete anos. A intervenção nas instalações não é possível por o caso estar em tribunal.
INVASÃO
As portas fechadas não resistiram muito tempo. Os vizinhos queixam-se de que o espaço abandonado é frequentado por toxicodependentes. A autarquia confirma.
FURTOS
De acordo com moradores, é frequente o furto de máquinas do interior do laboratório. “Chegam aí carrinhas de caixa aberta e levam o que podem”, dizem.
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