Na acusação, o Ministério Público alega que os homens dedicaram-se à prática de roubos a bancos, com recurso a réplicas de armas de fogo e mantendo os clientes sob sequestro.
Dois homens, de 43 e 44 anos, acusados de roubos e sequestros em agências bancárias de várias localidades do país, que renderam mais de meio milhão de euros, começam a ser julgados, na quarta-feira, em Évora.
A primeira sessão do julgamento está marcada para as 13h30 do próximo dia 25 (quarta-feira), no Tribunal Judicial de Évora, segundo o calendário de diligências marcadas disponível no portal de justiça Citius, consultado esta quinta-feira pela agência Lusa.
De acordo com o despacho de acusação, ao qual a Lusa teve acesso, o arguido mais velho, reincidente, está acusado de cinco crimes de roubo, nove de sequestro, 32 de falsificação de documento, além de uma contraordenação por detenção ilegal de arma.
Já em coautoria, os dois arguidos, ambos de nacionalidade brasileira e em prisão preventiva desde que foram detidos em abril de 2025, estão acusados de dois crimes de roubo, um de sequestro e outro de branqueamento de capitais, pode ainda ler-se.
Na acusação, o Ministério Público (MP) alega que os homens dedicaram-se à prática de roubos a bancos, com recurso a réplicas de armas de fogo e mantendo os clientes sob sequestro, o que lhes permitiu apropriarem-se de mais de meio milhão de euros.
Entre julho de 2023 e setembro de 2024, o arguido mais velho atuou sozinho, de acordo com o MP, que refere que o homem dirigia-se aos bancos com boné na cabeça e óculos escuros na cara, pedindo informações e, depois, exigia a entrega de dinheiro sob ameaça, deixando funcionários manietados e/ou fechados.
O arguido, acrescenta a acusação, aplicou este plano nos assaltos de que é suspeito a dependências bancárias em Vendas Novas e Alcáçovas, no distrito de Évora, onde também terá presumivelmente roubado uma cliente que ia depositar dinheiro, e em Águas de Moura, no distrito de Setúbal.
No Brasil, este homem terá proposto colaboração ao outro arguido e, juntos, utilizando os mesmos métodos, terão assaltado agências bancárias em Castro Verde, no distrito de Beja, Estoi, no de Faro, e Lourinhã, no de Lisboa, realça o MP.
No despacho de acusação é relatado que, no assalto na Lourinhã, no dia 7 de abril de 2025, os arguidos, entre o dinheiro roubado, levam da agência bancária quatro notas isco, acabando a Polícia Judiciária (PJ) por os localizar e deter no dia seguinte.
A acusação detalha os valores roubados em cada um dos seus assaltos, nas caixas, no cofre principal, nas gavetas cacifos das máquinas multibanco e a uma cliente, cujo total ascende a cerca de 548 mil euros.
Segundo o MP, os arguidos enviavam o dinheiro obtido nos roubos para o Brasil, através de agências de câmbio e transferência, utilizando, em alguns casos, pessoas que conheciam e outras que encontravam na rua, a troco de 50 euros.
Para proceder a estas remessas, cada uma sempre a rondar os cinco mil euros, o arguido mais velho terá usado uma identidade falsa, com a qual também alugou automóveis e viajou de e para Portugal e Espanha desde o país de origem, salienta o MP.
As pessoas que fizeram as remessas de dinheiro dos arguidos chegaram a ser constituídas arguidas, mas esta parte do inquérito foi arquivada, após concluir-se que foram ludibriadas.
Na acusação, o MP lembra ainda que o homem mais velho já foi condenado em Portugal pelo mesmo tipo de crimes, a pena única em cúmulo jurídico de 19 anos e 11 meses de prisão, por acórdão transitado em julgado em 30 de setembro de 2020.
O arguido foi entregue, a seu pedido, às autoridades brasileiras em 31 de março de 2022 para continuar a cumprir a pena naquele país, mas, um ano e três meses depois, estava de volta a Portugal, com identidade falsa, para dar início a uma nova vaga de assaltos, lê-se ainda no despacho de acusação.
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