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Correio da Manhã

Portugal
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UMA MORTE PREMEDITADA

A aldeia de Gomes Aires, freguesia de Almodôvar, no Baixo Alentejo, está em estado de choque com a morte de Fernando Gil, o jovem de 37 anos assassinado a tiro na manhã de sábado, por um ex-emigrante que se suicidou em seguida.
21 de Julho de 2003 às 00:00
Desentendimentos relacionados com a utilização de um terreno, propriedade do homicida, poderão ter estado na origem do crime, que a população suspeita ter sido premeditado, já que o agressor “nunca andava armado”, mas no sábado dirigiu-se ao café da vítima com uma pistola 6.35 milímetros.
Esta é pelo menos a única explicação encontrada pelo pai de Fernando Gil para o acto praticado por Manuel Guerreiro, um ex-emigrante na Suíça, de 73 anos, que na manhã de sábado assassinou o jovem, pai de um casal de gémeos com nove anos: “O irmão do assassino disse à minha mulher que este tinha um projecto para as suas terras mas o meu filho utilizava-as como pastagem. Só se foi por isto, mas não houve qualquer zanga entre eles, nem sequer uma palavra sobre o assunto”, garante Francisco Gil.
Ontem, no café ‘O Martelo’, local da tragédia e propriedade da família de Fernando Gil, o ambiente era de consternação. Lisete Gil, irmã do jovem assassinado e única testemunha do crime relatou o que viu ao CM: “Eram umas 09h30 e como os meus pais estavam no campo, vim de Almodôvar, onde resido, para dar uma ajuda no café. O Manuel Guerreiro estava, calmamente sentado, aqui à porta quando o meu irmão chegou numa carrinha. Deu-lhe os bons dias, mas não ouvi se ele respondeu”, conta a irmã da vítima, que recorda: “ O Fernando entrou no café, pediu-me uma garrafa de água e voltou a sair, pois estava com pressa, uma vez que, no domingo, ia para Quarteira, com a família, assistir a um baptizado. Vim atrás dele e foi então que inesperadamente se deu a tragédia”, recorda.
Ainda de acordo com a mesma testemunha, foi quando Fernando Gil se preparava para entrar novamente na carrinha que o assassino se dirigiu na sua direcção, puxou de uma pistola e deu-lhe um tiro no peito. A seguir virou a arma para si e desferiu um segundo tiro na própria cabeça. Transtornada com os acontecimentos Lisete Gil recorda os últimos momentos do seu irmão: “Aproximei-me dele e pediu-me para salvá-lo. Pedi-lhe que não morresse e quis levá-lo ao hospital. Ainda me sentei ao volante da carrinha, mas o meu irmão já não chegou ao outro lado. Caiu redondo no chão e morreu-me nos braços”, conta.
Estava consumado um crime, para o qual tanto a família da vítima como a do agressor não encontram uma explicação plausível. Ao certo sabe-se que Manuel Guerreiro já tinha encomendado uma campa para si, embora, em casa, não falasse sobre o assunto, garante a filha: “O meu pai esteve até há 12 anos, na Suíça a trabalhar como pedreiro. No sábado, tomou o pequeno almoço e disse à minha mãe que ia ao café do Fernando buscar uns papéis. O que ele fez é um enigma também para nós”, confessou Dulce Guerreiro.
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