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Correio da Manhã

Portugal
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"Uma autêntica bomba-relógio"

Administrador de complexo fala em fogo posto no Cachão.
Ana Borges Pinto 1 de Março de 2016 às 08:20
Bombeiros continuaram na segunda-feira os trabalhos no  Cachão
Bombeiros continuaram na segunda-feira os trabalhos no Cachão FOTO: Ana Pinto
"Tudo indica que haja mão criminosa". Esta é a convicção de António Morgado, administrador do complexo industrial do Cachão, em Mirandela, onde um incêndio de grandes dimensões consumiu, no domingo, dois armazéns em que se encontravam várias toneladas de plástico prensado, propriedade da Mirapapel, empresa de gestão de resíduos.

Em setembro de 2013, já tinha ardido um armazém da mesma firma. "No domingo, pelas 18h30, surgiram, ao mesmo tempo, dois focos de incêndio. Daí as nossas desconfianças de fogo posto", acrescentou. Indignados e revoltados, os moradores e trabalhadores do Cachão há muito que lutam contra o armazenamento dos resíduos, junto a outras unidades fabris. "Isto é uma autêntica bomba-relógio. Não é fácil dormir em paz", disse Luísa Quintas, vizinha do local. "Não conseguimos trabalhar descansados. Há dois anos e meio ardeu um armazém, agora ardeu outro, e ainda há um terceiro com lixo", afirmou José Carlos, funcionário da fábrica de transformação de castanha no complexo que tem como acionistas as autarquias de Mirandela e Vila Flor. Porém, os edifícios que arderam são privados e a administração diz não ter como intervir. "Já notificámos várias vezes os proprietários para retirarem o material", disse António Branco, edil de Mirandela. O CM tentou, sem sucesso, ouvir a Mirapapel.

O incêndio foi controlado perto da meia-noite, mas os trabalhos de consolidação dos bombeiros continuam nos próximos dias. A PJ investiga.

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