Está concluído o inquérito da autarquia de Sintra ao veterinário suspeito de corrupção, António Gonçalves de Almeida, que “propõe a instauração de um processo disciplinar” e a suspensão do funcionário, que se mantinha em funções desde que foi detido, a 8 de Março, pela Polícia Judiciária.
O autarca Fernando Seara declarou ao CM que “a Câmara de Sintra tomou nota que o juiz de instrução, nas medidas de coacção, não o [veterinário] suspendeu de funções. A advogada do arguido “não previa que tal acontecesse”, daí a necessidade de um inquérito.
“Se ele se considera inocente, por que se deverá afastar?” Dizia a advogada do veterinário, Lúcia Dias, horas antes de o CM ter acesso ao resultado do inquérito que determina a suspensão de funções ao arguido. E, por isso, o gabinete de António Almeida, no Canil Municipal de Sintra, esteve ocupado, até ao dia de ontem, pelo próprio veterinário responsável pelo licenciamento de estabelecimentos para manipulação de produtos de origem animal.
Depois de detido pela PJ, o veterinário foi libertado sob medida de coacção penal de apresentações periódicas (cinco em sete dias da semana), na esquadra de polícia da área de residência. “O Ministério Público abriu um inquérito e estão a prosseguir as investigações”, explica a advogada. E descreve os três cenários possíveis para o processo: arquivamento, suspensão com determinada conduta de actividade, ou a determinação de um processo de acusação.
António Almeida “está sereno, mas perturbado com os factos”, descreveu Lúcia Dias, que aconselhou o arguido a não falar à Comunicação Social “sob pena de se prejudicar as investigações”. A advogada que trabalha com o arguido há dez anos diz-se surpreendida com todo o processo. “Quando ele me ligou, da PJ, e gravou uma mensagem no telemóvel a dizer: ‘Estou detido’, achei que era uma brincadeira”. Lúcia Dias garante que o seu cliente nunca foi a Tribunal por questões idênticas.
EMPREGADA DOENTE E SEM DESCONTOS
Maria Manuel descobriu que tinha diabetes tipo I e foi despedida da Clínica Vetcentro (propriedade do veterinário António Gonçalves de Almeida), onde trabalhava há oito anos sem fazer descontos para a Segurança Social (SS). A auxiliar de consultório tinha ordenado e o nome até constava na placa de funcionários da clínica de Mem Martins.
Quando a doença “obrigou” Maria Manuel a ficar em casa, “disse ao veterinário que não tinha feito descontos para a SS. Ele garantiu que continuaria a pagar ordenado”. Durante dois meses, a funcionária recebia dinheiro da clínica e, também, cerca de 200 euros pela baixa do segundo emprego que mantinha num supermercado, arranjado, a seu pedido, pelo próprio veterinário.
“Ele foi à minha procura e disse-me: ‘Não há provas nem papéis, então vai cada um para seu lado’”, recorda Maria Manuel as palavras do patrão no dia em que deixou de receber os cheques.
Mais: “No dia 28 de Fevereiro, recebi uma carta de rescisão de contrato no supermercado”. Isto, dois depois “de o médico ter sido visto a falar com o dono da loja.”
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