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Correio da Manhã

Portugal

Violinista morto por Comando

Um antigo Comando, que integrou forças especiais durante a guerra colonial, está desde ontem a ser julgado no Tribunal de Estarreja pelo homicídio de um violinista de Lisboa, de 72 anos, que no momento do crime jantava com a ex-mulher do militar. O crime aconteceu na noite de 15 de Janeiro de 2005, num restaurante da praia da Torreira.
29 de Abril de 2006 às 00:00
O arguido, Álvaro Ferreira, de 59 anos, e a sua defesa pretendem explicar a situação com os “valores” dos Comandos e os “traumas” de guerra, que lhe terão provocado “stress pós-traumático”.
Vários camaradas de armas do arguido testemunharam em sua defesa no tribunal, nomeadamente o seu antigo comandante de unidade, coronel Matos Gomes que reconheceu que os seus homens “estiveram a combater nas zonas operacionais mais complicadas”, o que terá deixado sequelas em alguns deles. A testemunha disse ter conhecimento de dois homicídios e alguns suicídios depois da desmobilização, mas este “não é o comportamento maioritário”.
No decurso do testemunho dos ex-camaradas, a defesa procurou ainda demonstrar que a intenção não era matar, fazendo perguntas sobre o peso da arma e constatando uma deficiência que o arguido tem em alguns dedos.
Para a acusação está claro que o arguido agiu por ciúmes “de forma voluntária e consciente, evidenciando frieza de ânimo e reflexão sobre os meios empregados e não padece de doença psiquiátrica”, pelo que pode ser condenado por homicídio qualificado a penas que variam entre os 12 e os 25 anos.
CRIME À MESA DE JANTAR
A vítima, António Oliveira Silva (pai de uma jornalista da SIC), possuía uma casa de férias na Torreira e naquela noite jantava com uma senhora de 48, com quem estava envolvido emocionalmente. Segundo noticiou então o CM, o agressor entrou de rompante no restaurante com uma caçadeira, gritou alguns insultos à mulher e disparou à queima roupa sobre o músico, sendo logo detido por populares.
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