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Problemas intestinais: mitos e verdades que estão a afetar a sua saúde

O desconforto intestinal frequente é mais comum do que se imagina e continua, ainda assim, pouco reconhecido. Entre sintomas que se tornam “normais” e diagnósticos que não chegam, muitas pessoas vivem num limbo de mal-estar constante. É esta realidade que o estudo do Projeto Saúdes, com o apoio da Médis - “A Saúde Intestinal dos Portugueses: um território por explorar” - procura revelar.

08 de abril de 2026 às 15:28

O intestino tem sido o centro de uma atenção mediática sem precedentes, mas, com a informação, surge também a confusão. Para ajudar a navegar neste “território por explorar”, vale a pena separar mitos de evidência, à luz da ciência e da realidade dos portugueses.

É neste contexto, entre perceções enraizadas e evidência científica, que importa distinguir o que é mito do que é verdade.

1. O intestino serve apenas para a digestão.

MITO. Visto antigamente como um simples "tubo" de passagem, o intestino é hoje reconhecido como um sistema ativo e complexo. Ele possui uma rede nervosa própria com centenas de milhões de neurónios — o chamado "segundo cérebro" — e alberga a microbiota, um sistema vivo que regula a imunidade, o metabolismo e até a produção de vitaminas e serotonina.

2. O intestino e o cérebro mantêm uma comunicação constante que afeta o humor.

VERDADE. Existe um eixo intestino-cérebro, uma rede de canais complexa na qual a informação circula em ambos os sentidos. Esta ligação é tão forte que o estado da nossa microbiota estimula a produção de neurotransmissores como a serotonina, influenciando diretamente emoções como o medo ou a ansiedade. O estudo confirma que este impacto é real: 32% dos portugueses com problemas intestinais sentem que o seu humor é bastante ou muito afetado pela sua condição.

3. Se os exames (colonoscopia/endoscopia) dão "normal", a dor não é real.

MITO. Este é um dos maiores obstáculos ao diagnóstico. Existem as chamadas perturbações funcionais, como a Síndrome do Intestino Irritável (SII), em que os sintomas são persistentes e impactantes, mas não são visíveis em exames de rotina, como biópsias ou análises-padrão. Nestes casos, o problema reside na forma como o intestino e o cérebro dialogam, e não numa lesão física visível.

4. O glúten e a lactose são os grandes "vilões" da saúde intestinal.

MITO/VERDADE (com nuance). O estudo revela uma tendência para a "diabolização" destes componentes. Embora sejam prejudiciais para quem tem condições específicas (como a doença celíaca ou intolerância diagnosticada), a autoexclusão sem indicação clínica é frequente e arriscada. Retirar estes alimentos sem acompanhamento pode empobrecer a dieta e fragilizar a microbiota, agravando o desequilíbrio que se pretendia resolver.

5. O stress afeta o intestino, mas o contrário não acontece.

MITO. A comunicação entre o cérebro e o intestino é uma "autoestrada de dois sentidos" (bidirecional). Se é verdade que o nervosismo pode causar descargas intestinais, hoje sabe-se que um intestino desequilibrado (disbiose) envia sinais ao cérebro que influenciam diretamente o humor, a ansiedade e a irritabilidade.

6. Todas as bactérias são más para o organismo.

MITO. Durante décadas, a medicina focou-se em eliminar microrganismos, mas hoje sabemos que a grande maioria dos 40 mil milhões de microrganismos no nosso intestino grosso são "bons" e essenciais à sobrevivência humana. Eles são responsáveis por regular funções vitais e influenciar processos ligados ao sono e ao bem-estar emocional.

7. Os problemas intestinais afetam maioritariamente as mulheres.

VERDADE, MAS... Embora os dados confirmem que 64% das pessoas que reconhecem sofrer de desconforto persistente são mulheres, o estudo revela que este número resulta de uma combinação de fatores. Serão as mulheres mais predispostas ou apenas mais vigilantes e francas sobre o que sentem?.

As fontes sugerem que ambas as realidades coexistem:

Fatores biológicos: As mulheres enfrentam desafios únicos, como a gravidez ou ciclos hormonais (30% sente agravamento dos sintomas na menstruação), que se sobrepõem às questões intestinais.

Barreiras culturais: Os homens, por outro lado, tendem a resignar-se mais facilmente ao desconforto. Para muitos, a partilha do sofrimento é ainda vista como um "ato de fraqueza", levando-os a minimizar os sintomas através do humor ou a evitar exames preventivos por estigma social.

Portanto, a prevalência feminina é real, mas o "silêncio" masculino mascara uma parte significativa do problema na população total.

8. Probióticos e kombuchas resolvem todos os problemas.

MITO. O mercado do grande consumo criou a ideia de que a saúde intestinal se resolve apenas com a adição de produtos. Contudo, a eficácia de probióticos e suplementos depende do tipo de produto e da dosagem adequada a cada pessoa, podendo até ser contraindicados em certos casos. A gestão eficaz exige uma fórmula personalizada que combine alimentação, exercício e gestão de stress.

Saúde à medida: porque não existem fórmulas universais

A saúde intestinal não é uma solução única. Como explica a especialista Conceição Calhau, cada pessoa tem uma microbiota única, funcionando como um "copo misturador" com lâminas e motores diferentes; por isso, o que resulta para um pode não funcionar para outro. O caminho para o bem-estar passa por quebrar o silêncio, aumentar a literacia e procurar orientação profissional especializada, evitando o experimentalismo que pode mascarar problemas mais profundos.




Para saber mais sobre a saúde intestinal, visite o site , onde pode fazer o download gratuito do estudo, ou explore conteúdos adicionais em 

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