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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

“Volta filha, sinto tanto a tua falta”

Raquel ainda consegue ver a filha a sorrir. Fecha os olhos, deixa as lágrimas caírem e repete incessantemente que a pequena Rita, de 8 anos, vai ser encontrada viva, que vai voltar para os seus braços. A menina foi arrastada pelo mar anteontem na praia da Memória, em Matosinhos, e o seu corpo ainda não foi encontrado. A avó paterna da criança, Celeste Loureiro, de 63 anos, morreu ao tentar salvá-la. A irmã de Rita, de 12 anos, viu tudo.

27 de abril de 2012 às 01:00

"Volta para mim filha, já sinto tanto a tua falta", dizia, entre soluços, Raquel Gomes, mãe da criança, que juntamente com o marido, bancário no BPI, assistiu às buscas no mar.

Os pais da pequena Rita, que vivem em São Mamede de Infesta, não conseguiram conter as lágrimas durante todo o dia de ontem. Viram o barco percorrer, dezenas de vezes, as águas em busca da menina e não esconderam a dor por verem as horas a passar sem qualquer notícia. "Está a ser muito difícil para eles aceitar a realidade. É também muito duro para a Sofia, que viu a avó e a irmã morrerem, ela só chora. Agora só queríamos que o mar devolvesse o corpo para fazermos o luto", contou ao CM Carlos Pinho, tio do pai de Rita.

A família começou já a tratar do funeral de Celeste, que ao que tudo indica deverá realizar-se amanhã . Ao fecho desta edição, o corpo da criança não tinha sido encontrado, pelo que as buscas serão retomadas hoje, mas já com meios reduzidos.

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