PSP excluiu 85 candidatos em provas de despiste de atitudes radicais e agressivas

Está também a ser preparado um período experimental de 30 horas adicionais e obrigatórias no primeiro ano de formação.

03 de março de 2026 às 18:06
PSP Foto: Pedro Noel da Luz
Partilhar

O diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, disse esta terça-feira na Assembleia da República que em 2025 foram excluídos 85 candidatos a agentes, na sequência do reforço de provas psicológicas de despiste de atitudes radicais e agressivas.

Ouvido na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, na sequência de dois requerimentos do Partido Socialista, Luís Carrilho explicou aos deputados que foram tomadas medidas adicionais no plano de formação de agentes da PSP.

Pub

O diretor nacional da PSP adiantou que, além do reforço nos testes psiocológicos que levaram à exclusão de 85 candidatos no ano passado, serão reforçadas em 2026 matérias de "prevenção da discriminação, extremismo e radicalismo, uso de redes sociais e telemóveis pessoais, passando estas a ser matérias obrigatórias".

Para este ano, está também a ser preparada a regulamentação de um período experimental de 30 horas adicionais e obrigatórias no primeiro ano de formação nesta polícia, um "sistema de mentoria operacional e a possibilidade de exoneração no caso de deficiências éticas e comportamentos graves".

Esta informação foi avançada a propósito do requerimento do PS, que pediu esclarecimentos sobre os casos da esquadra do Rato, em Lisboa, em que dois agentes da PSP foram acusados de tortura e violação, visando sobretudo toxicodependentes, sem-abrigo e estrangeiros.

Pub

Na acusação deduzida pelo Ministério Público a 9 de janeiro, os acusados são dois agentes da PSP, de 21 e 24 anos, detidos em 10 de julho do ano passado, suspeitos de agredirem detidos com "socos e chapadas e coronhadas na cabeça, tendo inclusivamente filmado e fotografado algumas dessas situações e as respetivas vítimas", maioritariamente toxicodependentes, pessoas que cometeram pequenos delitos, muitos com nacionalidade estrangeira e ilegais, ou em situação de sem-abrigo.

Além do requerimento sobre os casos da esquadra do Rato, o PS pediu também a audição do diretor nacional da PSP a propósito da operação desta polícia que aconteceu na rua do Benformoso, em Lisboa, em dezembro de 2024, em que dezenas de pessoas estavam encostadas à parede, com as mãos no ar, para serem revistadas por agentes.

Luís Carrilho sublinhou hoje que nessa operação "a atuação policial foi uniforme, objetiva e fundamentada exclusivamente por critérios operacionais legais" e que "as revistas abrangeram todos os cidadãos no presente local, sem qualquer discriminação em função de origem, etnia, nacionalidade, religião ou condição social".

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar