Almirante Silva Ribeiro recebe a mais alta condecoração de Timor-Leste
Ex-CEMGFA montou, nos anos 1990, rede de comunicações clandestinas com Xanana Gusmão preso na Indonésia.
Nos anos 1990, quando estava no SIED (serviço de informações), António Silva Ribeiro foi um dos criadores de uma rede de comunicações com telemóveis e telefones de satélite que permitiu a Xanana Gusmão, a partir da cadeia de Cipinang, na Indonésia, comandar a resistência em Timor-Leste, colocando-o em contacto com os líderes da frente armada, Konis Santana e Taur Matan Ruak, e a frente política exilada fora do território, José Ramos Horta e Mári Alcatiri. Os timorenses nunca o esqueceram. E esta sexta-feira o almirante - ex-Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e atual cronista do CM - foi distinguido com o Grau Colar da Ordem de Timor-Leste, o único a recebê-la na cerimónia comemorativa do 50.º aniversário da Declaração da Independência, realizada em Dili.
"Recebo esta condecoração com profunda honra e humildade, como um tributo ao corajoso povo de Timor-Leste, à sua Resistência e a todos aqueles com quem tive o privilégio de colaborar na construção da sua liberdade, segurança e desenvolvimento", reagiu António Silva Ribeiro ao CM.
A rede secreta de comunicações, que permitiu melhorar a coordenação estratégica da luta pela independência e que os principais dirigentes da Resistência timorense passassem a comunicar de forma rápida e direta a nível internacional, foi apenas um dos contributos do almirante para com Timor-Leste. Após a restauração da independência, a ligação aprofundou-se. Desde 2012, tem participado de forma contínua na formação de oficiais das Forças Armadas e das forças de segurança timorenses, através do Instituto de Defesa Nacional de Timor-Leste.
A distinção foi entregue numa cerimónia militar, perante altas entidades timorenses e estrangeiras, "em sinal de apreço e gratidão pela dedicação, empenho e profissionalismo demonstrados no exercício das suas atividades, contribuindo de forma exemplar para o bem-estar do povo de Timor-Leste e para o desenvolvimento da nossa Nação", justificou Ramos Horta, presidente de Timor-Leste.
A Ordem de Timor-Leste é a mais alta condecoração honorífica do Estado timorense. Criada em 2009, destina-se a reconhecer nacionais e estrangeiros que, pela sua atuação profissional, social ou por atos de especial dedicação e altruísmo, tenham contribuído de forma significativa para o bem de Timor-Leste, do povo timorense ou da humanidade. A Ordem é atribuída em vários graus, entre os quais se encontra o Grau Colar, reservado a personalidades que se distinguiram de forma excecional no fortalecimento das instituições, na consolidação da paz, na cooperação internacional e na projeção de Timor-Leste no mundo.
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