Aquecimento do oceano aumenta risco de infeções devido a bactéria "carnívora" na Europa

Infeção ocorre através de uma ferida na pele em contacto com água contaminada ou pela ingestão de marisco mal cozinhado e contaminado.

08 de julho de 2026 às 17:02
Oceano Atlântico Foto: NurPhoto/Getty
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As altas temperaturas na época do verão bateram recordes tanto em terra como no mar e este aquecimento da água tem consequências para os ecossistemas marinhos.

Um novo relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) alerta que este fenómeno está a favorecer a propagação da Vibrio Vulnificus, uma bactéria "carnívora" que pode causar infeções graves e para a qual existe um risco acrescido de propagação durante os meses de verão, especialmente no Mar Báltico. 

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No verão de 2025 já tinham sido detetados casos noutras partes do mundo, como na Flórida, EUA. Este ano, o risco alastrou-se a novas regiões devido às altas temperaturas que se têm feito sentir, avança o La Voz de Galicia.

Embora o agente patogénico já tenha sido detetado na costa espanhola, os especialistas sublinham que ir ao banho no Mediterrâneo é seguro para a população em geral, uma vez que a bactéria se desenvolve mais em águas com menor salinidade do que as deste mar. Ainda assim, é recomendado que seja mantida a vigilância a pessoas vulneráveis e que não se tome banho com feridas abertas. 

"Estas bactérias também foram encontradas noutros locais. Prevê-se que, à medida que as temperaturas da superfície do mar na Europa aumentem, o Vibrio se espalhe para outras zonas costeiras", explica o ECDC.

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A bactéria "habita em águas salobras localizadas em regiões temperadas, tropicais e subtropicais. A sua temperatura ideal para crescimento situa-se entre os 28ºC e os 37ºC, pelo que a sua distribuição geográfica está a alargar-se para latitudes mais elevadas, em consequência do aquecimento global", acrescenta a professora Carmen Amaro da Universidade de Valência.

Este agente patogénico pode ser filtrado por moluscos marinhos como a concha, as ostras ou as amêijoas, que atuam como um reservatório. 

Como ocorre a infeção?

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Um médico especialista explica que a infeção ocorre através de uma ferida na pele em contacto com água contaminada ou pela ingestão de marisco mal cozinhado e contaminado. A infeção por feridas é a mais comum e, embora a maioria dos casos seja leve, já foram descritos casos de complicações muito graves, como a sépsis, a miosite ou fascite (uma infeção que destrói rapidamente a pele e os tecidos moles).

Este mecanismo de destruição dos tecidos é a razão pela qual esta bactéria foi apelidada de "carnívora". 

O especialista recomenda consultar um médico caso se verifique uma ferida que piore rapidamente em contacto com a água do mar. 

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Grupos de risco

Em pessoas saudáveis, a infeção costuma ser ligeira e pode passar despercebida. No entanto, se a pessoa pertencer a um grupo de risco, a infeção pode evoluir para algo grave.

Os grupos mais vulneráveis são as pessoas que sofrem de doenças que comprometem, de alguma forma, a resposta imunitária à infeção, como a diabetes, doenças de fígado, hepatite, cirrose, cancro do fígado, entre outras. Além disso, a idade avançada também aumenta o risco de infeções graves. 

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Para reduzir o risco de infeções por esta bactéria podem ser tomadas precauções como evitar o consumo de marisco mal cozinhado, especialmente ostras e certificar-se de que estão bem cozinhadas.

Se tiver feridas abertas ou cortes é importante evitar nadar em águas salobras ou salgadas, ou cobrir a zona afetada com um penso impermeável. Se entrar acidentalmente em contacto com água do mar enquanto tiver arranhões, cortes ou feridas no corpo, é importante lavar a zona com água limpa e doce, aconselha a ECDC. 

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