Barragem da Aguieira com mais capacidade para mitigar cheias no baixo Mondego
APA apela à população para ter em conta as recomendações e avisos das entidades competentes, garantindo que a situação está a ser monitorizada "a toda a hora" e existe um dispositivo preparado para intervir.
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) disse este domingo que a barragem da Aguieira está abaixo da cota de referência e com muita capacidade de retenção de água para mitigar eventuais inundações no baixo Mondego.
Em Coimbra, no final de uma reunião de trabalho com autarcas em que participou o secretário de Estado da Proteção Civil, José Pimenta Machado salientou aos jornalistas que a barragem está com "muito encaixe" para responder a uma semana que se prevê muito difícil em termos de precipitação, segundos as previsões meteorológicas.
"Estamos muito bem preparados para o evento de hoje ao final do dia e que vai ganhar intensidade a partir da madrugada de segunda-feira", referiu o presidente da APA, salientando que as cotas das barragens da Aguieira e das Fronhas foram descidas para existir "encaixe para amortecer a cheia".
Segundo Pimenta Machado, a quota da Aguieira, que regula o caudal do rio Mondego, estava esta tarde na cota 115,9, abaixo da cota de referência.
O responsável salientou que foram tomadas todas as medidas necessárias para enfrentar os picos de precipitação previstos para esta semana, que se prevê "muito difícil".
"Provocámos pequenas cheias controladas para não termos uma cheia descontrolada", sublinhou o presidente da APA, que alertou também para o aumento dos caudais de rios que não têm monitorização, como o Ceira e o Alva, afluentes do Mondego.
O secretário de Estado da Proteção Civil, que substituiu a ministra do Ambiente e Energia na reunião de trabalho, alertou este domingo a população do Baixo Mondego para três episódios de precipitação intensa previstos para segunda-feira de madrugada, quinta-feira e domingo.
Rui Rocha apelou à população para ter em conta as recomendações e avisos das entidades competentes, garantindo que a situação está a ser monitorizada "a toda a hora" e existe um dispositivo preparado para intervir.
"Apesar de estarmos em territórios que convivem com estas situações [cheias], estamos numa situação excecional e, portanto, deixo um apelo forte à responsabilidade coletiva e individual de cada um para o cumprimento de todas as indicações que cheguem", frisou.
No sábado ao início da noite chegou à região um grupo de 24 fuzileiros da Marinha Portuguesa com seis botes, distribuídos pelos concelhos de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho, para a eventualidade de ser necessário intervir.
Além destes meios, e em caso de necessidade, a região conta com mais 17 embarcações próprias.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até dia 08 de fevereiro.
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