Base das Lajes mantém movimento intenso de aviões reabastecedores norte-americanos
Horários das saídas e o tempo que permanecem em voo têm sido díspares.
A Base das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores, mantém um movimento intenso de aeronaves norte-americanas, sobretudo de aviões reabastecedores, desde que Estados Unidos da América e Israel atacaram o Irão, na manhã de sábado.
Durante a manhã de esta segunda-feira, saíram da Base das Lajes apenas quatro dos 15 aviões reabastecedores KC-46 Pegasus, estacionados na infraestrutura há mais de uma semana.
No entanto, no domingo, foram 13 as saídas destas aeronaves que têm capacidade para reabastecer aviões militares em pleno voo.
De manhã, descolaram cinco reabastecedores, que regressaram ao início da tarde, e ao fim da tarde descolaram oito aeronaves, em dois grupos, voltando à base à noite.
Ainda que não existam informações oficiais, estas aeronaves poderão estar a reabastecer aviões militares norte-americanos que se desloquem entre os Estados Unidos e o Médio Oriente ou no percurso inverso.
Os horários das saídas e o tempo que permanecem em voo têm sido díspares.
Desde o dia 18 de fevereiro que se intensificou o movimento de aeronaves norte-americanas na Base das Lajes.
Para além dos 15 reabastecedores, passaram pela infraestrutura 12 caças F-16 Viper, um cargueiro militar C-17 Globemaster III e um cargueiro C-5M Super Galaxy, o maior avião de transporte estratégico da Força Aérea dos Estados Unidos.
Na sexta-feira, véspera do ataque ao Irão, levantaram voo das Lajes, ao início da tarde, dois reabastecedores, que regressaram à noite.
Já no sábado, descolaram cinco reabastecedores, que também só regressaram à noite.
Pela Base das Lajes têm passado também alguns aviões C-130, habitualmente utilizado para transporte de tropas e cargas, da Força Aérea e da Marinha dos Estados Unidos.
No sábado, descolou ainda das Lajes um P-8 Poseidon, aeronave militar desenvolvida para a Marinha dos Estados Unidos, projetada para a guerra antissubmarino.
Há uma semana, ainda antes do ataque ao Irão, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, disse o Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos previa "autorizações tácitas", "dadas com um prazo relativamente curso", para o uso da Base das Lajes.
No domingo, o presidente do Governo Regional dos Açores afirmou que o Acordo "foi cumprido" e que a importância da região "foi reconfirmada" com o recente ataque ao Irão.
Numa declaração política sem direito a perguntas dos jornalistas, José Manuel Bolieiro referiu que "no atual contexto internacional de guerra" o Governo dos Açores e o Governo da República "mantiveram contactos e troca de informação" através do primeiro-ministro, do ministro dos Negócios Estrangeiros e do presidente do executivo açoriano.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa "eliminar ameaças iminentes" do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".
O Irão já confirmou a morte do 'ayatollah' Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de três militares norte-americanos.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.
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