Carta de 70 especialistas pede à OMS que reverta as restrições aos cigarros eletrónicos
Texto defende que taxar novos produtos de tabaco como se fossem cigarros tradicionais é um erro grave.
Uma carta assinada por 70 reputados médicos e responsáveis por políticas de prevenção e redução do consumo de tabaco de vários países pede às Nações Unidas que seja drasticamente alterada a política proibicionista seguida até aqui. A missiva é dirigida ao responsável pela Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (FCTC), um acordo supranacional que tem norteado os programas anti tabagismo da generalidade dos países.Clive Bates, antigo responsável de um programa anti tabagismo do Reino Unido é um dos autores da carta e explica no seu site o que o leva a contestar a posição da Organização Mundial de Saúde. "O problema é que a o secretariado da convenção e as suas partes concordam, solidariamente em normalizar políticas verdadeiramente terríveis - por exemplo, encorajar a proibição de cigarros eletrónicos e tratar todo o tabaco sem fumo como se fosse a mesma coisa e acarretasse os mesmos riscos de fumar. Ou de regular os produtos de tabaco aquecido como se estes fossem cigarros".Na carta, os especialistas dizem que incentivar as pessoas a trocar os cigarros tradicionais pelos eletrónicos faz reduzir os ricos para a saúde e pode até ajudar as pessoas a deixar de fumar. E argumenta, que, pelo contrário, restringir e taxar o acesso a estes produtos só vai ajudar a perpetuar os cigarros tradicionais, muito mais prejudicais para a saúde.
"Se as políticas adotadas pela OMS fazem das alternativas não combustíveis a fumar menos acessíveis, menos apelativas, mais caras, menos amigas do utilizador e farmacologicamente menos eficazes, ou se inibirem a inovação e o desenvolvimento de novos produtos, então estas políticas podem prejudicar por perpetuar o ato de fumar"
Os especialistas recomendam mesmo que os cigarros eletrónicos (vaping) e o tabaco aquecido não tenham a mesma carga fiscal nem as mesmas restrições à publicidade do tabaco tradicional. E usam o argumento de que será muito menos prejudicial para os jovens que consumam estes produtos em vez de começarem pelo tabaco normal.
Os signatários admitem que os efeitos nocivos destes novos produtos podem não ser ainda conhecidos (ou mesmo nunca vir a ser totalmente conhecidos) mas garantem que "já temos suficiente conhecimento, baseado nos processos físicos e químicos envolvidos e bio marcadores de exposição, para estarmos confiantes de que estes produtos não combustíveis são muito menos prejudiciais do que fumar [o tabaco tradicional]".
Em Portugal os impostos são mais baixos para os produtos de vaping e de tabaco aquecido, mas, sobretudo no caos destes segundos, o preço de venda dos maços é semelhante ao da generalidade dos maços de tabaco tradicional. As restrições ao seu conusmo são as mesmas aplicadas aos cigaross tradicionais.
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