CIP defende que relações laborais exigem soluções equilibradas para conciliar trabalho e vida pessoal
Presidente da CIP, Armindo Monteiro, diz que as novas gerações já não têm na profissão a centralidade da sua vida.
O presidente da CIP, Armindo Monteiro, defendeu esta quarta-feira que são necessárias soluções equilibradas nas relações laborais para conciliar o trabalho e a esfera pessoal, dizendo que as novas gerações já não têm na profissão a centralidade da sua vida.
"A geração hoje que está a entrar no mercado do trabalho, ou que entrou há pouco tempo, é diferente da geração anterior, não tem como propósito a centralidade do trabalho na vida -- e ainda bem", afirmou o líder da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, numa mesa-redonda de uma conferência organizada pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), na sede da EDP, em Lisboa.
"Não temos de viver para trabalhar, temos de ter consciência de que temos de continuar a trabalhar para viver e é neste equilíbrio que precisamos de encontrar soluções", disse, numa debate que teve como tema "Bem-estar e conciliação: um imperativo da liderança".
Armindo Monteiro afirmou que defende um equilíbrio entre direitos e obrigações, evitando "que os abusos e excessos de uns não prejudiquem o direito de outros".
"Fui habituado dentro de um princípio -- 'quem não trabalha não come' -- e hoje temo que se ponha um princípio que é -- 'quem não chora não mama'", afirmou.
Durante a intervenção, ao falar sobre a necessidade de se encontrarem soluções equilibradas no mundo do trabalho, Armindo Monteiro não se referiu de forma explícita à reforma laboral que o Governo apresentou no parlamento em 19 de maio, falando de forma geral sobre a evolução das relações laborais ao longo do tempo.
"Sim, podemos evoluir. Se assim não fosse, ainda teríamos jornadas de sete dias, de seis dias, de cinco. Provavelmente vamos ter jornadas de três, mas ainda não é agora, será um dia seguramente", disse.
Antes da mesa-redonda na qual participou Armindo Monteiro, interveio a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, que defendeu que a proposta de lei de reforma laboral apresentada pelo Governo no parlamento em 19 de maio inclui "várias medidas" que apostam diretamente na "conciliação entre a vida profissional e a vida familiar" e na valorização da carreira das mulheres.
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