Crescimento anual da produção de plásticos circulares abranda de 13,6% para 1,2%

Plásticos circulares são aqueles que integram a economia circular, um modelo onde o plástico não é descartado após o uso.

19 de maio de 2026 às 07:51
Plásticos Foto: Pixabay
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O crescimento anual da produção de plásticos circulares na Europa abrandou dos 13,6% registados entre 2018 e 2022 para apenas 1,2% entre 2022 e 2024, indicou esta terça-feira a associação Plastics Europe.

Segundo o relatório elaborado com dados de 2024 e divulgado pela associação, os plásticos circulares passaram a representar 15,8% da produção europeia total, enquanto mais de 70% dos resíduos plásticos recolhidos continuam a acabar em aterros ou incineradoras.

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Plásticos circulares são aqueles que integram a economia circular, um modelo onde o plástico não é descartado após o uso, mas reutilizado, reciclado ou transformado continuamente.

Ao mesmo tempo, o crescimento anual da produção mundial de plásticos circulares acelerou de 5% para 7,7%.

"A procura europeia de plásticos circulares também está a perder força, caindo dos 16,2% de crescimento anual em 2022 para 4% em 2024", acrescentou a associação, adicionando que "a crise de competitividade mina os objetivos climáticos e a autonomia estratégica".

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De acordo com o relatório, os dados do comércio externo sustentam essa conclusão, ao mostrarem que "19% da procura de plásticos circulares por parte dos transformadores foi satisfeita através de importações, e 12,4% dos resíduos recolhidos na Europa são reciclados noutras regiões do mundo".

A associação alertou ainda que a dependência externa é ainda maior no caso dos plásticos de origem fóssil, já que 25% da procura dos transformadores europeus foi coberta com importações extracomunitárias.

Citado pelo relatório, o presidente da Plastics Europe e diretor executivo da Ineos Olefins & Polymers Europe, Rob Ingram, considerou "profundamente preocupante" a desaceleração da transição circular na Europa e atribuiu essa situação aos elevados custos energéticos e das matérias-primas, aos custos das emissões e à falta de "comércio justo".

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"Estamos a assistir à descarbonização da Europa através da desindustrialização", afirmou Ingram, advertindo que a indústria europeia do plástico "não poderá cumprir as suas ambições climáticas" se essa tendência não for revertida.

Embora a Europa mantenha a maior quota de plásticos circulares relativamente à sua produção total, com 15,8%, o relatório sublinhou que tal se deve também à queda de 8,3% na produção de plásticos fósseis entre 2022 e 2024, para 43,3 milhões de toneladas.

O estudo acrescentou que a taxa de reciclagem dos resíduos plásticos recolhidos na Europa aumentou para 29,6%, mas sublinhou que 48,9% desses resíduos ainda se destinam à incineração e outros 21,5% acabam em aterros.

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A diretora-geral da Plastics Europe, Virginia Janssens, defendeu que os resíduos plásticos devem ser considerados um "ativo valioso" e reclamou medidas regulatórias que tornem "economicamente atrativo conservar e reciclar" esses materiais na Europa.

"A crise do Golfo voltou a evidenciar a elevada exposição da Europa a choques associados aos recursos fósseis", assinalou Janssens, sustentando que uma economia circular forte "não é opcional, mas sim uma necessidade inegociável".

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