Doação de jipes divide familiares
Sobrinhos de empresário contestam sentença do tribunal.
A esperança dos ex-funcionários da empresa Alcatifas da Lousã de vir a receber os 200 jipes que o patrão lhes ofereceu há 16 anos começa agora a perder-se na sequência de as últimas decisões judiciais terem sido desfavoráveis. "Até ao lavar dos cestos é vindima. Porém, e dado o acompanhamento que tenho feito do processo, tenho de reconhecer que as coisas estão a esmorecer", admite Marcolino Simões, ex-funcionário.
O empresário Jorge Carvalho morreu em 2005, mas o processo da oferta de 200 jipes, que na altura custariam três milhões de euros, continua nos tribunais. A última decisão do Supremo Tribunal de Justiça veio confirmar a decisão anterior, reafirmando que o empresário não tinha sanidade mental.
Os juízes-conselheiros consideraram que os seus atos de "duvidosa filantropia" se "entrecruzam numa movimentação de insanidade mental". A decisão é fundamentada com relatórios médicos que atestam doença bipolar e psicose maníaco-depressiva.
Para Carlos Carvalho, um dos sobrinhos que intentou a ação, o acórdão confirma que "a família sempre teve razão". Opinião diferente tem António Carvalho Pinheiro, também sobrinho do empresário: "O meu tio sabia perfeitamente o que fazia e se ele queria dar os jipes era com o dinheiro dele e não das empresas". Os ex-funcionários consideram o acórdão injusto e, segundo Marcolino Simões, "estão revoltados". O processo segue agora para o Tribunal Constitucional.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt