Em cada cravo, igualdade. Milhares de pessoas celebram Abril na Avenida da Liberdade

Ouvem-se as tradicionais palavras de ordem "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais" e "Viva a liberdade".

Atualizado a 25 de abril de 2026 às 21:15
Milhares de pessoas descem a Avenida da Liberdade no 25 de Abril 2026 Foto: António Pedro Santos/Lusa_EPA
Milhares de pessoas descem a Avenida da Liberdade no 25 de Abril 2026 Foto: António Pedro Santos/Lusa_EPA
Milhares de pessoas descem a Avenida da Liberdade no 25 de Abril 2026 Foto: António Pedro Santos/Lusa_EPA

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A Avenida da Liberdade, em Lisboa, está pintada de vermelho com cravos na marcha do 25 de Abril, que decorree na tarde deste sábado. Milhares de pessoas saíram à rua para recordar o dia que marcou o início da democracia em Portugal há 52 anos.

O desfile arrancou pelas 15h30, liderado pelas tradicionais Chaimite, as icónicas viaturas blindadas usadas em 1974 na Revolução dos Cravos e um portador de um cartaz alusivo aos presos políticos libertados há 52 anos.

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No ponto de partida, na praça Marquês de Pombal, dezenas de milhares de participantes estavam já também prontos para descer a avenida em direção ao Rossio, entre as tradicionais palavras de ordem "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais" e "Viva a liberdade".

"É preciso lembrar aquilo que foi feito por aqueles que nos antecederam", disse José Luís Carneiro recordando que a maior parte da população não tinha acesso aos estudos e vivia na pobreza antes do 25 de Abril. O líder socialista salientou as necessidades dos jovens atuais - uma economia que valorize os trabalhadores.

Também Rui Tavares marcou presença, destacando a necessidade de lutar pela democracia. "Se não cuidamos da democracia ela perde-se", disse o porta-voz do Livre, que se dirigiu aos jovens como "guardiões da democracia".

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Cinco décadas depois, a marcha anual continua a servir para clamar "25 de Abril Sempre", mas também como centro de uma grande variedade de reivindicações e para amplificar os avisos de que a liberdade tem de continuar a ser defendida.

"Acho que é por isso que estão aqui tantas pessoas hoje", comenta à Lusa Alexandra Mesquita, uma das participantes no desfile, independentemente da cor política de cada um, mas que, na soma das partes, reforça o clamor "Fascismo nunca mais" -- um grito sempre presente ao longo da marcha e igualmente manifestado no cartaz que leva na mão.

Aos 56 anos, a artista plástica acredita que "o povo não é assim tão ingénuo" para retroceder nas conquistas alcançadas nas últimas décadas, apesar de não compreender o crescimento do populismo, que a assusta.

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"Não sei como é que é possível, o que é que passa pela cabeça das pessoas, não há raiva que justifique votar no Chega, por exemplo, e isso faz-me estar aqui e ter feito este cartaz", resume em declarações à Lusa.

Aos 73 anos, Manuel Joaquim Saraiva deslocou-se de Évora para participar hoje pela primeira vez no desfile em Lisboa. O dia 25 de abril de 1974 apanhou-o como operário numa oficina e chegou no melhor momento possível para evitar que o recrutamento militar, no mês seguinte, o lançasse para a guerra em África. Mas bem a tempo de acompanhar as incidências da Reforma Agrária no Alentejo.

Cinco décadas depois, consegue finalmente celebrar a liberdade em Lisboa e expressar a sua gratidão pública ao Movimento dos Capitães, mas também gostaria que tivesse servido para beneficiar de "uma vida melhor", que em todo o caso permite aos jovens as oportunidades que faltaram à sua geração.

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"É verdade que estão aqui muitos hoje, mas não basta, são precisos muitos mais" apela Manuel Joaquim Saraiva, que foi empurrado pela crise de 2011 para uma reforma não desejada e lamenta que "o povo não soube aproveitar o 25 de Abril", apesar de persistir como uma data que merece ser celebrada, fazendo eco de mais um cartaz anónimo: "Não me tirem o Abril herdado dos meus avós".

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