Empresários estimam impacto de 4,3 milhões de euros devido à quebra no turismo nos Açores em fevereiro
Estabelecimentos de alojamento turístico contabilizaram 151,1 mil dormidas em fevereiro, menos 5,9% do que no mesmo mês em 2025.
A Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) estima que a redução de dormidas em alojamentos turísticos registada no mês de fevereiro nos Açores tenha um impacto de 4,3 milhões de euros na economia regional.
"Esta quebra na procura turística em fevereiro de 2026 traduz-se num impacto económico direto de aproximadamente 3,2 milhões de euros. Quando considerados os efeitos indiretos e induzidos na economia regional, o impacto total só deste decréscimo do mês de fevereiro ascende a cerca de 4,3 milhões de euros, refletindo-se ainda num impacto no Valor Acrescentado Bruto (VAB) estimado em 2,4 milhões de euros", avançou esta terça-feira a associação empresarial, em comunicado.
Segundo dados revelados esta terça-feira pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), os estabelecimentos de alojamento turístico da região contabilizaram 151,1 mil dormidas, em fevereiro, menos 5,9% do que no mesmo mês em 2025.
Este é sexto mês consecutivo em que o arquipélago verifica uma descida homóloga no número de dormidas turísticas.
Para a associação empresarial das ilhas de São Miguel e Santa Maria, a redução "ocorre num contexto de tendência negativa acentuada" e "evidencia um arrefecimento consistente da atividade turística na região".
"Estes resultados evidenciam a elevada sensibilidade da economia regional à evolução do setor turístico, reforçando a necessidade de investir numa rede de acessibilidades aéreas competitiva e na promoção do destino, aproveitando desde logo as características únicas do destino e as alterações do contexto mundial", apontou.
A câmara de comércio liderada por Gualter Couto salientou que a quebra foi mais acentuada nos mercados externos, que apresentaram uma redução de 10,6% em fevereiro, face ao mês homólogo, quando o mercado nacional registou uma redução de apenas 1,8%.
"Estes dados confirmam uma desaceleração da procura turística internacional, com impacto direto na performance global do destino", apontou.
Os empresários alertaram ainda para o impacto no alojamento local, que registou a maior quebra face ao período homólogo (15,8%), apresentando uma redução de 21,9% nas dormidas de turistas do estrangeiro.
Com 101,3 mil dormidas, a hotelaria concentrou 65,3% das dormidas turísticas no arquipélago, em fevereiro, seguindo-se o alojamento local, com 48,6 mil dormidas (31,3%), e o turismo no espaço rural, com 5,2 mil dormidas (3,4%).
Enquanto na hotelaria a redução face ao período homólogo foi de apenas 0,2%, no turismo no espaço rural atingiu os 8,5% e no alojamento local os 15,8%.
Considerando apenas hotelaria e alojamento local, que concentraram 96,6% das dormidas, só três das nove ilhas do arquipélago verificaram uma variação homóloga positiva no número de dormidas: Graciosa (82,2%), Terceira (6,9%) e Santa Maria (4%).
Em sentido inverso, as ilhas das Flores (-28,5%), Corvo (-24,1%), Faial (-15,9%), São Jorge (-11,0%), São Miguel (-8,1%) e Pico (-3,5%) apresentaram uma redução homóloga.
Na hotelaria, a taxa líquida de ocupação por cama atingiu 29,6%, (menos 1,2 pontos percentuais), mas os proveitos totais subiram 7,1% para 6,2 milhões de euros.
Já o turismo no espaço rural apresentou uma taxa líquida de ocupação por cama de 18,1% (menos 1,5 pontos percentuais) e proveitos totais de 556,7 mil euros (mais 5,9%).
No alojamento local, a taxa bruta de ocupação por cama foi de 20,1% (menos 2,9 pontos percentuais) e 66,9% dos estabelecimentos ativos reportaram não terem tido movimento de hóspedes (mais 3,4 pontos percentuais).
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