Enfermeiros pedem aplicação de progressões e alertam para desigualdades

Entre as prioridades, o dirigente sindical destacou o cumprimento desigual dos diplomas de progressão, dando conta que "há hospitais que estão a aplicar e outros que ainda não estão a aplicar".

23 de janeiro de 2026 às 19:03
Enfermeiros Foto: Getty Images
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A plataforma de cinco sindicatos de enfermeiros pediu esta sexta-feira ao Governo a aplicação dos diplomas de progressão da carreira, denunciando desigualdades entre hospitais, antes de avançar para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente do Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses (Sindepor) disse que, apesar de terem sido chamados "para retomar as negociações do ACT", há questões estruturais que não podem continuar por resolver.

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"Existem matérias que já estão legisladas, que já estão aprovadas em Diário da República e que supostamente já deveriam ter entrado em vigor há muito tempo", afirmou Fernando Fernandes, após a reunião com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e a secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido, em Lisboa.

Entre as prioridades, o dirigente sindical destacou o cumprimento desigual dos diplomas de progressão, dando conta que "há hospitais que estão a aplicar e outros que ainda não estão a aplicar".

Fernando Fernandes realçou que a mesma disparidade se verifica na avaliação de desempenho, essencial para efeitos de progressão, defendendo que a tutela deve "arrumar primeiro a casa" antes do "próximo ACT".

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Os sindicatos vão voltar a reunir-se com a tutela na próxima sexta-feira, altura em que entregarão um levantamento nacional das falhas na aplicação da legislação, abrangendo hospitais e unidades de saúde familiar, para uniformizar a situação.

"Não podemos ter um país a duas ou três ou quatro velocidades. Os conselhos de administração não têm dado andamento ao que está decidido em Diário da República", sublinhou.

O vice-presidente do Sindepor revelou ainda que Ana Paula Martins "concordou inteiramente" que não se pode avançar em determinados assuntos enquanto outros permanecem por resolver.

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Em setembro passado, a plataforma de cinco sindicatos de enfermeiros entregou ao Governo a sua contraproposta para um ACT.

"O ministério apresentou-nos uma proposta que, no essencial, não garante aquilo que os enfermeiros querem neste momento. O que nós queremos é igualdade entre os contratos em funções públicas e os contratos individuais de trabalho e essa proposta, em si, não traz isso", adiantou Fernando Parreira, que é também presidente do Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (Sipenf), na ocasião.

No final de julho, o Governo e estes sindicatos dos enfermeiros assinaram um protocolo que estabelecia os termos e as matérias a rever, com as negociações a arrancarem em setembro, com uma primeira reunião entre as duas partes.

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Segundo o Governo, em cima da mesa está uma proposta de ACT, que abrange diversos temas, como novas formas de organização do tempo de trabalho dos enfermeiros, nomeadamente a flexibilidade dos horários para os profissionais de enfermagem do Serviço Nacional de Saúde.

A plataforma sindical reúne o Sindicato Nacional dos Enfermeiros (SNE), o Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses (Sindepor), o Sindicato dos Enfermeiros (SE), o Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (Sipenf) e o Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos (SITEU).

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