Ex-ministra diz que regras de gestão do INEM são desadequadas para emergência médica
Questionada sobre as verbas de saldos de gerência que o INEM tinha de devolver, justificou-as com as regras orçamentais.
A ex-ministra da Saúde Marta Temido disse esta quinta-feira que, quando exerceu o cargo, o INEM não era um problema e lamentou que o instituto tenha de obedecer a regras que considera desadequadas para a emergência médica.
"No tempo em que fui ministra da Saúde, a preocupação principal não era o INEM porque não tínhamos com o INEM problemas que se detetaram mais tarde", disse Marta Temido, que está esta quita-feira a ser ouvida na Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM.
Questionada sobre as verbas de saldos de gerência que o INEM tinha de devolver, justificou-as com as regras orçamentais.
"Precisamos de uma nova moldura para a saúde (...) que é gerida com dinheiros públicos", afirmou a ex-governante, considerando que a administração pública tem regras e uma estrutura desadequada para responder às necessidades do setor.
"É um diagnóstico que está há muito tempo feito", acrescentou.
Sobre a falta de meios do INEM, disse que mais importante do que dar mais recursos ao instituto era "dar-lhe outras regras de gestão", dando o exemplo dos concursos para técnicos de emergência pré-hospitalar que nunca levavam ao preenchimento das vagas pretendidas.
Insistiu que os problemas estruturais apontados no INEM não são exclusivos do instituto e sublinhou: "É preciso olhar para o setor da saúde como um setor diferente, que poderia ser pioneiro na libertação de regras que a administração pública tem e não são compatíveis (...) com a prestação de cuidados de saúde".
"Ou se mudam essas regras, ou a privatização da gestão surge como única alternativa", acrescentou.
Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.
O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.
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