Ex-presidente do INEM diz que apagão evidenciou "fragilidades estruturais" de comunicações

Sérgio Janeiro afirma que foram apresentadas propostas concretas para reforço estrutural do sistema.

09 de abril de 2026 às 16:41
Sérgio janeiro
Partilhar

O ex-presidente do INEM Sérgio Janeiro reconheceu esta quinta-feira que a resposta ao apagão energético de abril de 2025 evidenciou "fragilidades estruturais" nas comunicações, dependentes das redes comerciais, levando o instituto a dotar-se da tecnologia por satélite Starlink.

"A resposta evidenciou fragilidades estruturais, desde logo, ao nível das comunicações, onde se verificou uma dependência significativa de redes comerciais, sem redundância suficiente, dificultando a articulação entre estruturas de comando, gestão e operação", adiantou Sérgio Janeiro, que presidia ao INEM aquando da falha energética que atingiu o país, em 28 de abril de 2025.

Pub

Ouvido no grupo de trabalho sobre o apagão da comissão parlamentar de Ambiente e Energia, o anterior presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) adiantou que, na sequência dessa crise e no âmbito da Comissão Nacional de Planeamento Civil de Emergência, foram apresentadas propostas concretas para reforço estrutural do sistema.

Entre essas propostas, constaram a definição de uma estrutura de coordenação, comando e controlo para o setor da Saúde, o reforço da redundância das comunicações, com soluções por satélite e redes dedicadas, a criação de um Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) de `backup´ junto da central 112 e a identificação e proteção de pessoas dependentes de equipamentos médicos no domicílio, adiantou.

"O sistema tem apreendido e evoluído, pois, na sequência do apagão, foram implementadas medidas concretas de reforço da resiliência", assegurou Sérgio Janeiro, apontando os sistemas de comunicação redundante por satélite, com a aquisição por parte do INEM da tecnologia Starlink, o que garante capacidade de comunicação alternativa em cenários de falha das redes convencionais.

Pub

Aos deputados, adiantou ainda que, no dia do apagão, o sistema telefónico e informático do INEM "nunca falhou e nunca esteve em baixo", mas verificou-se uma incapacidade temporária -- cerca de 20 minutos -- da linha atendimento 112, que não é da responsabilidade do instituto.

Sérgio Janeiro referiu que, progressivamente, registaram-se constrangimentos nas comunicações móvel, obrigando a que a passagem de dados ao CODU e a ativação de meios de socorro passasse a ser feita com recurso à rede Siresp, que também começou a registar falhas no dia do apagão.

"Também se verificaram falhas ao nível do Siresp, porque as antenas deixaram de ser devidamente alimentadas. Há um caminho a percorrer para as dotar de maior resiliência", alertou.

Pub

Sobre a autonomia energética das instalações do INEM, o ex-presidente avançou que, logo que aconteceu a falha de energia, os geradores arrancaram automaticamente.

"Não houve nenhuma quebra de energia nas instalações do INEM", referiu Sérgio Janeiro, adiantando que, com as medidas adotadas, o instituto "teria uma autonomia, dependente da delegação regional, entre três e quatro dias" com o combustível que estava disponível.

Além disso, foi ativada a rede de abastecimento de emergência que está contratualizada, permitindo ao INEM receber, ao início da tarde, um reforço de combustível, disse Sérgio Janeiro, salientando que o tempo de atendimento médio de chamadas foi de 40 segundos.

Pub

Em 28 de abril de 2025, a Península Ibérica sofreu uma falha elétrica que deixou milhões de pessoas às escuras por várias horas, sem acesso a transportes, comunicações e serviços básicos. Em Portugal, o apagão, que teve origem no país vizinho, ocorreu pelas 11:33.

Em março deste ano, os peritos europeus concluíram que o incidente resultou de múltiplos fatores técnicos, mas não atribuíram responsabilidades legais, remetendo essa avaliação para as autoridades nacionais.

O painel, que integrou 49 especialistas de vários países europeus, classificou o evento como "o apagão mais grave no sistema elétrico europeu em mais de 20 anos" e um fenómeno "nunca antes observado ou teorizado".

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar