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Vice-presidente da ENTSO-E diz que importante é "aprender" com apagão, que "podia ter começado em qualquer país"

Responsável falava durante uma audição na Comissão de Ambiente e Energia, no âmbito do Grupo de Trabalho sobre o apagão ibérico de 28 de abril 2025.

08 de abril de 2026 às 17:02

A vice-presidente da Rede Europeia de Gestores de Redes de Transportes de Eletricidade (ENTSO-E) salientou esta quarta-feira que o apagão de abril de 2025 teve origem em Espanha, mas "podia ter começado em qualquer país", importando "aprender" para tomar medidas preventivas.

"É muito importante, num contexto político, reforçar que estas recomendações [da investigação técnica europeia ao incidente] não são para Portugal ou Espanha, são para o sistema europeu, [porque] o apagão poderia ter começado em qualquer país", afirmou Susana de Graaff.

A responsável falava durante uma audição na Comissão de Ambiente e Energia, no âmbito do Grupo de Trabalho sobre o apagão ibérico de 28 de abril 2025.

Referindo estar "há 26 anos na operação do sistema", a vice-presidente da ENTSO-E salientou que "todos os apagões são diferentes" e que "o importante é analisar, aprender e implementar as medidas que ajudam a manter o serviço aos consumidores 365 dias por ano, 24 horas por dia".

Susana de Graaff enfatizou que, "normalmente, este tipo de fenómenos é uma agregação de várias causas" e foi precisamente isso que aconteceu no "apagão" de abril, tendo a investigação técnica ao incidente concluído que, após uma subida rápida da tensão em Espanha, "diversos fatores chave" acabaram por culminar no colapso do sistema.

"O colapso teve origem numa subida rápida da tensão na rede elétrica, em Espanha, que desencadeou uma cascata de desligamentos de produção e levou ao colapso", precisou, assegurando que "mais ou menos inércia não teria mudado o resultado", já que se tratou de "uma cascata por sobretensão".

Ainda assim, a responsável sublinhou que as 22 recomendações "muito específicas e detalhadas" emitidas pela ENTSO-E na sequência da investigação feita ao "apagão" vão implicar "um ajuste da regulação europeia e a nível nacional", estando a entidade e a Comissão Europeia "a trabalhar muito próximas de forma a melhorar a regulação de acordo com as necessidades do sistema".

"Este é um trabalho que está a ocorrer diariamente", disse, acrescentando que "vai haver um acompanhamento da implementação das recomendações da ENTSO-E junto do regulador europeu e das entidades reguladoras nacionais", porque "há uma série de medidas que podem ser tomadas para ter o sistema estável".

Tal como o presidente da ENTSO-E, Damian Cortinas, já tinha feito em março passado, durante a apresentação do relatório final dos peritos europeus, Susana de Graaff sublinhou que este não teve "qualquer intenção de atribuir culpa ou responsabilidades": "[Foi] uma análise técnica e factual, sem intenção de tomar o papel das entidades competentes dos diversos países, que terão o papel de [apurar] responsabilidades", referiu.

Segundo detalhou, o que aconteceu foi que "a tensão começou a aumentar progressivamente, devido a vários fatores numa fase inicial, com vários momentos de perda de geração até ao ponto em que já não havia retorno e, então, houve um colapso de tensão".

"Houve uma perda de sincronismo com resto da Europa, com as interligações de França e de Marrocos, e, nesse momento, o sistema de defesa foi ativado em Espanha e Portugal, mas já foi insuficiente para salvar o sistema", detalhou.

Relativamente a uma eventual relação direta entre o apagão e as renováveis, Susana de Graaff sustentou que estas, "como qualquer outra tecnologia, têm capacidade técnica de implementar as soluções que estão nas recomendações da ENTSO-E".

"Podemos implementar na tecnologia renovável, tal como implementamos nas centrais convencionais, os requisitos dinâmicos para controlo de tensão, por exemplo. Esta capacidade técnica está lá. Portanto, não é sobre ser renovável ou não, é sobre implementar os requisitos adequados na tecnologia e na regulação e as entidades competentes verificarem que esses requisitos são cumpridos", rematou.

Em 28 de abril de 2025, a Península Ibérica sofreu uma falha elétrica que deixou milhares de pessoas às escuras por várias horas, sem acesso a transportes, comunicações e serviços básicos. Em Portugal, o apagão ocorreu às 11:33.

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