Família de menino de dois anos que morreu com cancro satisfeita com o aumento do subsídio de funeral para crianças

"Esta será sempre a lei do Miguel", disse a "tia" de coração. O menino de dois anos foi diagnosticado com cancro cerebral agressivo em dezembro do ano passado. Morreu dez dias depois do diagnóstico.

11 de abril de 2026 às 09:52
Família de Miguel satisfeita com aumento do subsídio de funeral para crianças Foto: DR
Família de Miguel satisfeita com aumento do subsídio de funeral para crianças Foto: CMTV
Família e amigos de Miguel satisfeitos com o aumento do subsídio de funeral Foto: CMTV
Família e amigos de Miguel celebram aumento do subsídio de funeral infantil. Foto: DR

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"Sente-se um grande alento, mas, ao mesmo tempo, fica-se com a sensação de 'e agora? Que missão vamos abraçar? O que se segue agora?'". Daniela Soares, a "tia" de coração de Miguel, - o menino que morreu, em dezembro, dez dias após ter-lhe sido diagnosticado um cancro cerebral agressivo - está satisfeita com o aumento do subsídio de funeral para crianças, aprovado pelo Conselho de Ministros, esta quinta-feira.

A polémica em torno desta questão colocou-se quando os pais do pequeno Miguel, de dois anos, foram surpreendidos com a recusa de apoio estatal para as despesas fúnebres. A justificação prendeu-se com a ausência de carreira contributiva da criança que seria um critério exigido pela legislação em vigor, independentemente de os pais serem contribuintes. Ora, no sentido de ver a situação alterada, para ajudar os pais de outros "migueis", a família e amigos juntaram-se e lançaram uma petição que apresentaram na Assembleia da Republica. Esta quinta-feira, viram frutos da missão que acreditam ter sido deixada pela criança.

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"Corrigiu-se uma grande injustiça, não só para as crianças, como para os deficientes profundos e para todos os que nunca tiveram a oportunidade de descontar porque não conseguiram", explicou, ao CM, Daniela, amiga da família e que, desde o primeiro momento, se envolveu naquilo que chama de "missão". "Tivemos sempre a consciência que poderíamos fazer a diferença em nome do Miguel e no propósito que ele nos deixou, mas, ao mesmo tempo, também tínhamos os pés assentes no chão e sabíamos que podia não dar em nada, mas deu", regozijou-se.

Ao fim de três meses, a injustiça foi corrigida e esta família vai recordar sempre esta como sendo "a lei do Miguel". "Sem dúvida. O nome do Miguel ficará para sempre como aquele que veio mudar esta lei. Para nós será sempre a lei do Miguel", esclareceu.

A alegria confunde-se com a tristeza da perda em cada pessoa, que durante dois anos, privou com pequeno Miguel, mas agora sabem que o menino "veio com um propósito" e isso "dá força para seguir em frente". "Sabemos que perder o Miguel não foi em vão. Já pensamos no que vamos fazer agora, qual a missão que vamos abraçar para o recordar", disse, revelando ainda que o misto de sentimentos está também bem presente na mãe da criança.

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"Ainda falamos pouco, porque o tempo agora é de recolhimento de uma coisa muito boa, mas muito impactante. Ela está também nesse misto de alegria e de sentir o impacto de conseguir algo tão incrível, mas ao mesmo tempo não está com ele", concluiu.

Miguel, de dois anos, foi diagnosticado com cancro cerebral agressivo em dezembro do ano passado. Morreu dez dias depois do diagnóstico.

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