Farmácias atendem por postigo ou à porta devido ao coronavírus
Diretrizes para garantir o serviço à comunidade presencialmente ou por entregas ao domicílio.
Para que o serviço farmacêutico à comunidade continue a ser garantido, as farmácias únicas, ou seja, das localidades sem mais nenhuma cobertura farmacêutica num raio de dois quilómetros, devem fazer o atendimento ao público por postigo ou sem entrada de utentes no interior das instalações. Em Mirandela, o atendimento pelo postigo noturno já está a ser feito em seis farmácias.
De acordo com as orientações enviadas pelo Infarmed às farmácias e à Ordem dos Farmacêuticos, nos estabelecimentos os profissionais devem usar equipamento de proteção individual.
Para evitar o acumular de pessoas no interior, o Infarmed aconselha as farmácias a pedir aos utentes para tirarem senha e aguardarem no exterior. As novas diretrizes do Infarmed indicam ainda que a entrega de encomendas deve ser feita sem a entrada do funcionário do armazém nas instalações da farmácia e que estas devem ser desinfetadas ainda no exterior.
Nos casos de entregas ao domicílio, as farmácias comunitárias podem colaborar com os hospitais na entrega dos medicamentos ao utente.
Sempre que existam farmácias encerradas, a entrega de medicamentos deverá ser feita ao domicílio por farmácias dessa localidade ou das limítrofes. Todavia, o funcionário responsável pela tarefa deve evitar o contacto com o utente ou com os seus objetos pessoais.
No caso do diretor técnico ou farmacêutico não poder garantir as funções de direção técnica, o cargo tem de ser ocupado por um farmacêutico não pertencente ao quadro dessa farmácia.
"Aproveitar para fazer o que nos dá prazer"
Francisco Miranda Rodrigues, bastonário da Ordem dos Psicólogos, garante ser pouco provável que o isolamento propicie perturbações do foro emocional.
CM – Milhares de portugueses vão ficar em isolamento. Como irão sentir-se?
Francisco M. Rodrigues – O que nos diz a evidência científica é que as pessoas podem sentir mais medo, ansiedade, stress e preocupação. São reações normais e expectáveis. Por isso, a primeira coisa a fazer é a aceitação, sem fugir, pois fugir do desconforto emocional que a situação causa pode até dar origem a comportamentos de risco.
– Foi por isso que a Ordem produziu conteúdos com diretrizes públicas?
- Já libertámos no nosso site conteúdos sobre como lidar com crianças e com idosos e vamos disponibilizar mais.
– O que se pode fazer para reduzir o impacto emocional do isolamento?
- Devem manter-se informados, consultando fontes fidedignas. Manter as rotinas (horário de acordar, deitar) e o contacto social através dos meios virtuais ou telefone. Devem aproveitar para fazer exercício em casa e coisas que relaxem e deem prazer: meditação, jardinagem, cozinhar, jogos de tabuleiro, etc. Coisas que, às vezes, nem temos tempo de fazer e que permitam desfocar do problema.
- Estão em contacto com colegas de países que já estão há várias semanas em isolamento. Como tem sido?
- Não é previsível que as pessoas desenvolvam algum tipo de perturbação. Pode é acontecer que pessoas que já tenham algum tipo de perturbação tenham mais dificuldade em superar este processo sozinhas. Por isso, a Linha SNS24 está a desenvolver uma plataforma para este efeito.
Filipa Sousa, portuguesa isolada em Itália
"A situação é séria e dramática"
Filipa Sousa, portuguesa a viver em Itália, afirmou ao CM/CMTV que a situação que se vive naquele País é "dramática". "Tentamos vivê-la da forma mais positiva possível, mas é muito sério", disse.
Em Itália ninguém pode sair à rua sem justificação. "Só sai uma pessoa por família para ir à farmácia comprar um medicamento ou para ir ao supermercado. Nos supermercados só entram duas ou três pessoas de cada vez. E também só podem andar duas pessoas de cada vez dentro do mesmo carro", afirmou Filipa Sousa, explicando que o cumprimento das medidas está a ser assegurado pela presença do exército e da polícia nas ruas.
"Nos supermercados, as pessoas têm de aguardar cá fora a sua vez para entrar e ficam a uma grande distância umas das outras. Há neste momento um respeito enorme pelas regras", disse a portuguesa há vários anos residente em Itália, até agora o país mais afetado da Europa e onde o número de infetados é superior a 17 mil e já houve mais de 1200 mortos.
Filipa Sousa reconhece que Itália vive dias muito duros mas é à noite que o peso dos números e do isolamento mais se sente: "A noite é completamente silenciosa. Não se ouve uma mota, não se sente um carro."
Talvez por isso, para contrariar o peso do silêncio, os italianos foram este sábado às janelas e tentaram quebrar a atmosfera pesada entoando em coro, em diversas comunidades, o tema ‘Bella Ciao’, canção popular italiana que se tornou um símbolo da resistência italiana durante a Segunda Guerra Mundial.
Supermercados limitam número de clientes
Vários supermercados da região de Lisboa, como é o caso do Pingo Doce, começaram este sábado a restringir a entrada de clientes, de modo a garantir que não circulasse um excesso de clientes ao mesmo tempo no interior da loja. A medida preventiva resultou no acumular de pessoas à porta dos estabelecimentos.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt