“Ficámos para trás e todos nos dizem que já não há nada a fazer”: família de Leandro perdeu tudo na tempestade
Família de seis pessoas sem tecto e sem apoios, porque Alenquer não estava na lista.
Leandro Serafim tem apenas 27 anos. Foi uma opção familiar: há meia dúzia de anos deixaram o apartamento alugado em Lisboa e rumaram para uma pequena aldeia do centro do país. Moram em Bogarreus, em Alenquer: ali vive Leandro, os pais, os três irmãos e o sobrinho de apenas seis meses. Agora perderam tudo e não sabem como será o dia de amanhã. Nem sequer têm casa para se abrigar, vivem da caridade de familiares e amigos.
“Estamos num concelho - Alenquer - onde não foi declarado o estado de calamidade. Conclusão: não temos direito a nada, a resposta é que deixemos ‘a casa cair’. Ficamos para trás e todos nos dizem que já não há nada a fazer. Da Câmara, nem nos recebem”, diz Leandro que mesmo assim conseguiu submeter o pedido de apoio ao Governo, no âmbito das ajudas dadas a a nível nacional. “O máximo que poderemos receber são dez mil euros. Mas mesmo essa resposta não é rápida, continuamos à espera”, diz, enquanto mostra a casa, completamente destruída.
Divide herança e perde apoios
O cenário não podia ser mais assustador. Há paredes que parecem ‘descoladas’. O chão da casa abateu, a estrada de alcatrão que ali nos leva também abriu ao meio. As árvores foram arrancadas pela raiz. Os troncos espalhados pelo quintal confirmam a devastação. Ocenário é desolador. “Não sabemos o que fazer. Neste concelho há 28 famílias desalojadas, mas afinal não estávamos abrangidos pelo estado de calamidade. A Câmara fechou-nos a porta na cara: mandou-nos sair de casa, porque há risco de ruir, mas não têm qualquer solução ou capacidade para nos ajudar. Ninguém quer saber de nós”, explica Leandro.
São muitos os casos de pessoas que se arriscam ficar para trás. Em Cercal, Figueiró dos Vinhos, encontramos uma mulher que não te direito a nada. O marido morreu e porque era o seu desejo em vida, a senhora decidiu repartir a herança. A casa onde vive passou para nome da filha, mas nunca deixou de ser a sua primeira habitação e o local onde tem morada fiscal. Agora, o Estado diz que não vale: a casa é segunda habitação e não tem direito a nada. Chover lá dentro é um dos seus maiores problemas.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt