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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Prejuízos da tempestades podem chegar aos seis mil milhões de euros

Antigo autarca do Fundão descreveu "um dano gigantesco".

20 de fevereiro de 2026 às 08:25

O recente 'comboio' de tempestades que percorreu Portugal continental, com ventos ciclónicos da Kristin na região centro, provocou prejuízos entre os cinco mil milhões e os seis mil milhões de euros, segundo o presidente da estrutura de missão.

O antigo autarca do Fundão Paulo Fernandes descreveu "um dano gigantesco", em entrevista ao jornal Público: "se 2,5 mil milhões de euros resolverem o problema das empresas e o problema das habitações, seria espetacular".

"Mas, depois, temos de somar a isso toda a vertente dos equipamentos públicos que estão totalmente destruídos, a parte agroflorestal... Falar de 5.000 a 6.000 milhões [de euros de prejuízos] não é nada que não esteja dentro do espetro deste desastre ambiental, social, económico, infraestrutural e, no limite, nacional", afirmou o presidente da comissão nomeado pelo Governo.

O líder da entidade executiva "Reconstruir a Região Centro" foi questionado sobre o balanço efetuado de 72 famílias deslocadas e 103 desalojadas, num total de 175 casas inabitáveis e revelou que "o número dos deslocados é muito infra", admitindo mais casos, bem como de habitações sem condições de habitabilidade.

"Temos uma resposta até aos 10 mil euros que, combinada com os seguros, parece-nos mais do que suficiente. Mas temos também situações de perda total da casa, sabendo que cerca de 50% delas podem nem ter seguro, e é preciso também encontrar uma resposta", disse.

Paulo Fernandes adiantou que está a ser concebida uma medida específica, "com a participação da Secretaria de Estado da Habitação e do Ministério da Coesão", já que "seria absurdo" resolver "com centenas de milhões de euros as questões até 10 mil euros e não" haver "15 ou 20 milhões de euros para resolver a situação das habitações de desalojados".

Sobre as falhas no fornecimento de energia elétrica, o responsável declarou que, "para a média tensão", segundo a empresa E-Redes, "no próximo domingo ou segunda-feira (...) a questão (...) estará resolvida".

"Dizem também que, fechando agora o ciclo energético da E-Redes - cerca de 40% das antenas não estão em funcionamento porque não têm energia -, isso irá diminuir a dificuldade. Mas eu diria que, na parte das telecomunicações, a recuperação será mais lenta do que o que aconteceu na parte de energia", concluiu.

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