Género, escolaridade e rendimento explicam baixos níveis de literacia financeira

Entre os jovens, Portugal está muito próximo dos outros países analisados no estudo e também da média da OCDE.

16 de março de 2026 às 12:07
Género, escolaridade e rendimento explicam baixos níveis de literacia financeira Foto: DR
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Portugal regista níveis de literacia financeira próximos da média dos países do euro, mas as mulheres e os cidadãos com menores níveis de escolaridade e de rendimento estão abaixo desse patamar, indica um estudo do Banco de Portugal.

A análise "Um retrato da literacia financeira em Portugal", que integra a rubrica Políticas em Análise do Boletim Económico de março, esta segunda-feira divulgado, traça um retrato sobre os conhecimentos da população adulta, a partir do quarto inquérito à literacia financeira da população portuguesa de 2023, e dos jovens a partir dos 15 anos, com base nos resultados de um módulo opcional do estudo PISA 2022 da OCDE.

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Entre os jovens, Portugal está muito próximo dos outros países analisados e também da média da OCDE, com 15,5% de alunos sem competências básicas de literacia financeira e apenas 6,6% dos alunos com competências de topo.

Dentro destes 15,5% de alunos sem competências básicas, 74% acredita que sabe gerir o seu dinheiro, o que parece mostrar um certo excesso de confiança por parte dos estudantes.

É logo a partir dos 15 anos que se coloca a questão de género, com apenas 5% das raparigas a mostrarem competências de topo, contra 8% dos rapazes.

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Já as percentagens dos que não têm competências básicas são muito semelhantes entre géneros.

Outra característica que faz a diferença entre os jovens entrevistados é se são nativos ou filhos de pais imigrantes.

Os filhos de pais que nasceram no estrangeiro têm uma probabilidade muito maior de não ter competências básicas, e uma probabilidade muito menor de ter competências do topo.

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Quando o nível de educação dos pais é maior, a probabilidade dos alunos terem competências de topo é também maior, e a probabilidade de terem menos competências básicas é muito menor.

Quanto aos resultados da população adulta, o estudo do Banco de Portugal mostra que apenas 54,8% responderam que pouparam dinheiro no ano anterior ao inquérito, o que é uma percentagem relativamente baixa em comparação com os outros países europeus.

Dentro deste subconjunto, perto de 60% não obteve nenhum retorno da sua poupança, tendo mantido o dinheiro numa conta à ordem ou mesmo em casa.

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Já um terço aplicou a poupança, em instrumentos de muito baixo risco, ou seja, numa conta poupança, depósito a prazo ou em obrigações.

Apenas 7% recorreu a instrumentos de maior risco, em ações e fundos de investimento.

Para os autores do estudo, este comportamento da população portuguesa mostra alguma prudência em assuntos financeiros, mas também algumas limitações no conhecimento sobre os instrumentos financeiros existentes.

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No indicador global de literacia financeira da OCDE, composto por três subindicadores de conhecimentos, comportamentos e atitudes financeiras, Portugal apresenta um nível em linha com a média da área do euro, exceto no indicador dos conhecimentos financeiros, o único em que está abaixo.

Entre os 16 países analisados, a Alemanha foi o que apresentou o melhor desempenho, e Itália o pior, com Portugal a posicionar-se cerca de 13 pontos percentuais abaixo da Alemanha e cerca de 10 pontos acima da Itália.

Nos indicadores dos comportamentos e nas atitudes, os portugueses estão ligeiramente acima da média, e nos conhecimentos, claramente abaixo, com uma diferença de 25 pontos percentuais em relação à Alemanha.

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Também na população adulta existe um diferencial de género, com os homens a demonstrarem desempenhos superiores aos das mulheres.

Quanto à idade, os mais jovens e os mais velhos têm desempenhos inferiores aos da faixa etária entre os 30 e os 59 anos.

O estudo do Banco de Portugal é assinado por Hugo Reis, Sharmin Sazedj e Lara Wemans.

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A literacia financeira é a capacidade de tomar decisões informadas sobre a gestão do dinheiro, com uma visão do longo prazo.

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