Milhares em Lisboa contra pacote laboral quando Governo quer finalizar negociação
Protesto, organizado pela CGTP, teve início pelas 14h30, no Saldanha, em Lisboa, e seguiu em direção à Assembleia da República.
Milhares de pessoas manifestaram-se esta sexta-feira, em Lisboa, contra o pacote laboral, numa altura em que o Governo já admitiu querer encerrar a atual fase negocial.
O protesto, organizado pela CGTP, teve início pelas 14:30, no Saldanha, em Lisboa, e seguiu em direção à Assembleia da República.
Os manifestantes, de todas as idades, levavam bandeiras da central sindical e das estruturas associadas e gritavam palavras de ordem como "Contratação sim, caducidade não" e "Salários de miséria, rendas a subir, o povo não aguenta, está na hora de agir".
A manifestação nacional, organizada pela CGTP-IN, sob o mote "Abaixo o pacote Laboral! Aumentar salários, garantir direitos, é possível uma vida melhor" decorreu numa altura em que a ministra do Trabalho garantiu que há apenas "dois ou três temas" a impedir um acordo com os parceiros sociais e que vai encerrar "esta fase negocial nos próximos dias".
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, voltou esta sexta-feira a reunir-se com a UGT e as quatro confederações para "pequenas afinações" na legislação laboral.
Para o secretário-geral da CGTP, a adesão dos trabalhadores ao protesto reflete a indignação que tem vindo a ser demonstrada ao longo dos últimos oito meses.
"Está aqui a voz de quem trabalha. É na rua que conhecemos a realidade de quem trabalha e era bom que o Governo percebesse isto. Este pacote laboral tem no seu conteúdo a normalização da precariedade", assinalou Tiago Oliveira, que falava aos jornalistas, durante a manifestação.
O líder da intersindical garantiu que vão ser os trabalhadores a definir o futuro e o desfecho do pacote laboral e deixou críticas ao executivo.
"Estamos perante um Governo antidemocrático, que não quer ouvir a voz de quem trabalha. Iremos responsabilizar também todos aqueles que na Assembleia da República, através do sue voto, permitam que algo tão negativo veja a luz do dia", avisou.
Ao longo de todo o percurso, que levou cerca de duas horas a percorrer, o protesto foi crescendo e vários manifestantes juntaram-se com cravos na mão ou ao peito e algumas faixas com a palavra liberdade.
"É importante [estar aqui] porque nós estamos a ser atacados nos poucos direitos que temos", referiu a manifestante Luzineide Silva, em declarações à Lusa, lamentando que o pacote laboral esteja a ser feito "à medida dos patrões".
Por sua vez, Vasco Josué, que também se juntou ao protesto, disse ser "vergonhoso" o facto de a maior central sindical não estar a fazer parte das negociações com o Governo.
"Não é que a CGTP não tente, mas são completamente ignorados. É antidemocrático", sublinhou.
"Estamos aqui a construir o nosso futuro, para um futuro melhor para a juventude, para o povo e para os trabalhadores", vincou.
Do lado dos partidos, o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, apontou que o número de pessoas na manifestação é a "prova provada da imensa arrogância por parte do Governo e da imensa prepotência deste pacote laboral", notando que o executivo de Luís Montenegro está cada vez mais isolado.
Pureza lamentou ainda o que disse serem as "manobras de desespero por parte do Governo" e falta de vontade em negociar, mantendo-se assim a "tentativa de impor" o pacote laboral.
O líder do PCP, Paulo Raimundo, defendeu, por seu turno, serem necessárias medidas de combate à precariedade e não medidas que a alarguem, fazendo referência às alterações à legislação laboral.
"O Governo está a tentar impor pela janela o que não conseguiu pela porta e aqui [na manifestação] está uma grande resposta. O Governo não pode ficar indiferente a isto ou vai assumir responsabilidades", denunciou.
Já Isabel Mendes Lopes, do Livre, alertou que o Governo e, em particular a ministra do Trabalho, parece estar "altamente insensível" à rejeição dada pelos trabalhadores que saíram à rua, à semelhança do que já tinha acontecido na greve geral.
"Quer à força impor esta alteração à legislação laboral [...]. O Governo deveria procurar um consenso na sociedade, um consenso com os partidos democráticos na Assembleia da República para garantir uma revisão que fosse boa para os trabalhadores e estável para o país", indicou.
À chegada da manifestação ao parlamento, que preencheu, por completo, a Praça da Constituição e se prolongou pela Rua de São Bento, o líder da CGTP saudou a "enorme mancha de trabalhadores" que não se rende, nem baixa os braços.
Apesar de ainda não existirem números oficiais, Tiago Oliveira indicou que esta foi uma das maiores manifestações de trabalhadores dos últimos tempos.
No final da reunião desta sexta-feira com a ministra do Trabalho, em Lisboa, o secretário-geral da UGT disse que vai convocar um secretariado nacional extraordinário para decidir se dá ou não 'luz verde' às alterações à lei laboral, enquanto as confederações empresariais afirmaram concordar com a última versão proposta.
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