Mulheres sofrem mais com o calor do que os homens, indicam estudos

Corpo feminino responde tardiamente aos sinais de esforço nas altas temperaturas.

09 de julho de 2026 às 12:47
Mulheres sofrem mais com o calor do que os homens Foto: Getty Images
Partilhar

Os termómetros continuam a subir a níveis elevados na Europa. A onda de calor tem afetado milhares de pessoas, mas será que sofremos todos de igual forma? Estudos apontam que as mulheres sofrem mais do que os homens com as temperaturas elevadas.

Nighat Arif, médica de clínica geral do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido especializada em saúde feminina, disse à BBC que o calor é um verdadeiro "teste de resistência" para o sistema cardiovascular das mulheres.

Pub

A resposta tardia do corpo feminino ao calor pode tornar-se um risco. O facto de as mulheres produzirem menos suor do que os homens e de começarem a transpirar a uma temperatura mais elevada dificulta a perceção de que o corpo está sob pressão e, por consequência, adia comportamentos de regulação de temperatura corporal. 

A este fator, somam-se as oscilações naturais dos níveis hormonais das mulheres. Os níveis de estrogénio e progesterona sofrem alterações mais significativas durante o ciclo menstrual, a perimenopausa, a menopausa, a gravidez e durante a amamentação, o que também reduz a capacidade de regulação da temperatura. Tudo isto representa um grande esforço para o sistema cardiovascular feminino.

Mas não são apenas fatores biológicos que colocam as mulheres numa situação mais vulnerável no tempo quente, explica Cat Pinho-Gomes, coautora de uma análise sobre as diferenças entre os sexos nas mortes associadas a ondas de calor. Circunstâncias socioeconómicas, como receber um salário mais baixo do que os homens ou serem mais suscetíveis a ficarem responsáveis por cuidar de familiares e da casa, deixam as mulheres com menos disposição para auto-cuidados importantes em dias de calor. 

Pub

O esforço adicional do sistema cardiovascular no calor pode causar a descida da pressão arterial, o que, conjugado com a perda de líquidos pelo suor, pode levar à exaustão por calor. A situação pode agravar-se durante a menstruação, principalmente para mulheres com um fluxo mais abundante. 

Nighat Arif aconselha a que as mulheres estejam atentas aos sinais de exaustão por calor, mantenham-se hidratadas e procurem estar em ambientes ventilados e frescos. O exercício físico deve ser praticado antes do nascer do sol ou após o pôr do sol. É também importante que as mulheres se mantenham atentas ao seu ciclo menstrual e que consultem um médico caso notem alterações. 

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar