Novos medicamentos inovadores têm provocado aumento das despesas das famílias

Aumento recorde de despesas com medicamentos refletem o custo da inovação terapêutica e a falta de entrada de novos genéricos no mercado, sublinha a Ordem dos Farmacêuticos.

19 de maio de 2026 às 11:03
Ordem dos Farmacêuticos, saúde, tratamentos Foto: Rui Miguel Pedrosa/Correio da Manhã
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A Ordem dos Farmacêuticos (OF) considerou esta terça-feira que o aumento recorde de despesas com medicamentos refletem o custo da inovação terapêutica e a falta de entrada de novos genéricos no mercado.

A despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com medicamentos atingiu o recorde de 4.417 milhões de euros no ano passado (+15,8%), um valor que nos hospitais ultrapassou pela primeira vez os 2.500 milhões de euros (+11,2%).

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"Este aumento da despesa era expectável (...). Para quem acompanha o processo relativamente aos medicamentos e entrada de novos medicamentos no mercado, esta despesa reflete o momento de inovação terapêutica que estamos a viver", afirmou à Lusa o bastonário da OF, Helder Filipe.

"Estamos a ter mais inovação terapêutica e a resolver problemas que até agora não conseguiam ser tão bem resolvidos ou não eram resolvidos mesmo", salientou o bastonário, reconhecendo que "todos estes medicamentos são muito caros" e geram aumentos anuais acima dos dois dígitos na despesa hospitalar e em ambulatório, "algo que antes não acontecia".

Além dos medicamentos utilizados para a diabetes, que também ajudam a emagrecer, "há um conjunto de outros novos medicamentos, como os novos antidiabéticos orais ou os novos anticoagulantes orais, que também são caros e que têm vindo a ser cada vez mais utilizados e a pesar na despesa", explicou Helder Filipe.

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"Temos que discutir de que maneira é que podemos manter o sistema sustentável e ter mecanismos para gastar menos do que estamos a gastar, mantendo o acesso aos medicamentos. Temos de preparar o Serviço Nacional de Saúde e todo o sistema de saúde para esta para esta nova realidade que vivemos", salientou o bastonário da OF, defendendo a entrada de mais genéricos no mercado.

"Devemos ter mecanismos que permitam que o custo seja o menor possível, mas que não limitem o acesso à inovação terapêutica e uma das ferramentas que nós temos é a maior utilização de genéricos", explicou.

Contudo, os dados apontam para uma "tendência de estagnação da quota de medicamentos genéricos" e isso deve ser avaliado pela tutela, alertou.

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A despesa das famílias com medicamentos ultrapassou os 966 milhões de euros no ano passado (+4,9%) e nos primeiros três meses deste ano já atingiu os 243 milhões, segundo dados do Infarmed.

De acordo com o relatório relativo à despesa com medicamentos em ambulatório em 2025, a que a Lusa teve acesso, as famílias gastaram no ano passado mais 45,4 milhões de euros em fármacos do que no ano anterior, quando a despesa dos utentes chegou aos 920,7 milhões de euros.

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