“O fogo chegou por todos os lados”: populares desesperam com falta de meios no terreno

“Isto tudo a arder e os políticos de férias”, reclama quem vê o fogo passar.

16 de agosto de 2025 às 01:30
“O fogo chegou por todos os lados”: populares desesperam com falta de meios no terreno Foto: Diogo Carreira
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“Falta água!”, grita desesperadamente Sónia, de 37 anos, com a mangueira na mão para molhar o terreno que ainda não ardeu em Ponte das Três Entradas, Oliveira do Hospital. “O fogo chegou por todos os lados.” Não há bombeiros. “Isto é um desespero. Estamos sozinhos”, diz Bernardo, de 18. De balde na mão e mangueiras a escorrer água, lutaram contra o fogo como puderam. São apenas duas caras do grande incêndio que começou há mais de dois dias. Alastrou e ocupa uma área que abrange vários distritos. Várias aldeias foram engolidas pelo fogo. A dona Felisbela tem 104 anos. Ouve mal e anda de cadeira de rodas. Foi levada pela família para um hotel. “A nossa mãe é a prioridade mas isto é um terror. É um pesadelo vivido novamente”, recorda Maria Adelina, de 78 anos.

Ao lado há o minimercado da zona. Francisco é o dono. Depois de o fogo passar não esconde a revolta. “É uma vergonha isto estar tudo a arder e os políticos de férias”, diz, revoltado. O fogo passou e foi envolver outras aldeias. Pelo menos cinco estiveram rodeadas pelas chamas nesta região - um cenário que promete repetir-se, já que as temperaturas vão continuar altas.

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Primeiro-ministro cancela férias

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, cancelou ontem o período de férias que tinha previsto durar até dia 22 deste mês, já depois de ter visitado com o Presidente da República a sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Carnaxide. As férias do chefe do Governo, no Algarve, duraram cinco dias (tinham começado na passada segunda-feira), embora Montenegro tenha tido agenda pública em quatro desses dias. Na quinta-feira, esteve na Festa do Pontal, a rentrée política do PSD, em Quarteira, Loulé. Durante as férias do primeiro-ministro, estava previsto que a chefia temporária do Governo fosse repartida entre os dois ministros de Estado, Miranda Sarmento e Paulo Rangel. 

Almirante critica férias do primeiro-ministro

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“Um verdadeiro líder, mesmo sem poder fazer nada, está na frente com o seu povo”, disse o candidato presidencial Gouveia e Melo, numa crítica direta ao primeiro-ministro, após a festa do PSD no Algarve. O almirante na reserva atacou os responsáveis políticos por enfiarem a “cabeça na areia”, “alheios ao terror vivido pelas populações”. Enquanto “o Interior chora e luta contra as chamas”, “noutros pontos do País há quem brinde às férias e tire fotografias sorridentes em eventos de verão”, atirou o ex-chefe da Armada.

Governo lamenta vítima mortal e pede tranquilidade

O secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, lamentou a morte do ex-autarca de Vila Franca do Deão, Carlos Dâmaso, e enviou condolências à família. “Apelo também para a serenidade e a tranquilidade que os próximos dias ainda exigem”, referiu o governante. “Todos estamos convocados para este grande desafio, para que possamos chegar ao final deste período sem que tenhamos a lamentar mais perdas e, sobretudo, para que consigamos proteger as pessoas e os seus bens”, sublinhou Rui Rocha.

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Chega vai questionar ministra

O Chega vai questionar o Governo sobre o atraso na ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil no combate aos incêndios florestais, por considerar tratar-se de uma situação “inadmissível”, por ter posto “em risco vidas humanas, habitações e vastas áreas do território nacional”. O grupo parlamentar do Chega vai pedir a convocação da Assembleia da República, “com a maior brevidade possível”, para ouvir a ministra da Administração Interna, se necessário, através da realização de um debate de urgência extraordinário. 

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