Ordem alerta para impacto grave de despacho na resposta a situações clínicas urgentes

Se despacho não for corrigido, será difícil completar escalas de prevenção em neurorradiologia, radiologia e cardiologia de intervenção.

08 de julho de 2026 às 13:52
Médico Foto: Getty Images/Isto Ckphoto
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A Ordem dos Médicos (OM) alertou, esta quarta-feira, para o "impacto grave" do despacho que define os procedimentos de neurorradiologia, radiologia e cardiologia de intervenção, alegando que fragiliza equipas altamente diferenciadas e compromete a resposta a situações clínicas urgentes.

A OM salienta em comunicado que estas "equipas, raras e de alto rendimento, atuam em contexto de urgência sempre que são chamadas", vincando que "cada atraso pode significar perda de oportunidade terapêutica, maior incapacidade, agravamento clínico ou morte evitável".

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Avisa ainda que, "se o despacho não for rapidamente corrigido, existe o risco concreto" de se tornar mais difícil, ou mesmo impossível, completar escalas de prevenção nestas áreas já a partir de agosto.

"Essa fragilização pode comprometer a Via Verde AVC, a Via Verde Coronária e outros circuitos urgentes de intervenção, fazendo com que respostas disponíveis 24 horas por dia deixem de funcionar quando os doentes mais precisam", alerta.

Em causa está o despacho n.º 8134-A/2026, que foi publicado e entrou em vigor no dia 29 de junho, que define os "procedimentos de neurorradiologia de intervenção, cardiologia e radiologia de intervenção".

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Para OM, este despacho terá um impacto grave "na resposta a situações clínicas tempo-dependentes, ao introduzir um modelo que fragiliza equipas altamente diferenciadas de Neurorradiologia de Intervenção, Radiologia de Intervenção e Cardiologia de Intervenção".

A Ordem dos Médicos sublinha que a criação das Vias Verdes no AVC e no enfarte agudo do miocárdio permitiu "respostas rápidas, articulação entre pré-hospitalar e hospitais, redução de tempos de diagnóstico e tratamento e melhoria da vida de milhares de pessoas, com menos morte evitável, incapacidade e dependência", defendendo que "este progresso não pode regredir".

O despacho abrange procedimentos essenciais como trombectomias, angioplastias, cateterismos, embolizações, tratamento endovascular de patologias hemorrágicas intracranianas urgentes, trombólises, reparação de aneurismas, TIPSS e outras intervenções vasculares urgentes.

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A OM salienta que são "atos complexos, em doentes instáveis, e dependem de equipas treinadas, completas e disponíveis", cuja disponibilidade permanente é decisiva para assegurar avaliação clínica, imagem, decisão terapêutica, anestesia quando necessária, enfermagem diferenciada e apoio técnico especializado.

A OM diz registar "com agrado" a informação transmitida pela Ministra da Saúde, em reunião com o Bastonário da Ordem dos Médicos, de que o diploma será revisto rapidamente.

Para a Ordem, a revisão deve enquadrar a organização das equipas, os regimes de prevenção e ativação, os registos clínicos obrigatórios, as auditorias clínicas, os indicadores de qualidade e segurança, os tempos de resposta e as boas práticas.

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"Um erro de método deve ser transformado numa oportunidade de melhoria, dando estabilidade a equipas que salvam vidas e funcionam como verdadeira resposta de urgência", salienta.

A OM sublinha que "o tratamento destas situações é uma corrida contra o tempo": "Não podemos permitir que alterações precipitadas comprometam equipas que protegem a vida e a autonomia dos doentes", afirma o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.

Para o bastonário, "a revisão anunciada deve ser feita com urgência, prudência, diálogo e conhecimento da realidade assistencial", sublinhando que "o objetivo é melhorar o sistema, nunca colocar em causa aquilo que funciona bem".

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Defende ainda que a prioridade absoluta deve ser garantir que todos os doentes têm acesso, em tempo útil, ao tratamento que lhes pode salvar a vida e preservar a autonomia.

"O país avançou muito nesta área. Não pode andar para trás", reforça a OM.

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