Pais exigem revolução no modelo de ensino
Descalabro nos resultados das provas de aferição leva encarregados de educação a pedir mudanças urgentes.
Os resultados desastrosos dos alunos dos 2º, 5º e 8º anos nas provas de aferição levaram ontem a Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap) a exigir uma autêntica revolução no modelo de ensino.
"Estes resultados mostram que o atual modelo de ensino é feito para os alunos memorizarem, fazer o teste e esquecer, e por isso tem de ser repensado. Isto não tem que ver com a escola em si, mas com a cultura instalada na sociedade, em que a escola é apenas vista como um meio de acesso ao ensino superior, quando deve ser um instrumento para o desenvolvimento dos jovens para a cidadania e para o pensamento crítico", disse ao CM Jorge Ascenção, presidente da Confap, que tem defendido uma maior separação entre ensino secundário e superior, com as universidades e politécnicos a definirem por si os critérios de acesso.
O responsável da Confap afirma que "o modelo do autocarro na sala de aula, com todos a olhar para as costas dos colegas, já não faz sentido". "Para quem nasce na era digital e trabalha muito à-vontade com computadores, este modelo não está adequado. É preciso um trabalho diferente, mudar este modelo e colocar nas crianças o gosto pela descoberta. Há muito que pregamos sozinhos sobre isto", disse o responsável, defendendo ainda uma mudança feita "com calma, serenidade e com todos os intervenientes".
Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep), nota que as escolas já receberam os relatórios sobre as provas e ainda há tempo para corrigir as trajetórias dos alunos. "São resultados intercalares, a meio dos ciclos e muito a tempo de tornear estes constrangimentos", afirmou, frisando que "já estão preparadas estratégias para corrigir o que está menos bem".
Nuno Crato desvaloriza resultados
O ex-ministro da Educação, Nuno Crato, desvalorizou ontem os resultados negativos das provas de aferição. "As provas de aferição não têm o valor dos exames e das provas finais e, portanto, é muito difícil saber o que elas traduzem sobre a realidade. Estas provas nunca são encaradas com o mesmo empenho pelos alunos", afirmou Nuno Crato ao CM, recusando comentar em detalhe as fragilidades detetadas.
O ex-ministro comentou declarações do secretário de Estado da Educação, João Costa, que afirmou que os resultados mostram que o maior enfoque na Matemática promovido por Crato não produziu resultados. "Já é tempo de o Governo deixar de desculpar-se de tudo o que corre mal com o governo anterior", disse, acrescentando: "Não foi dada mais atenção à matemática do que o devido. É preciso é seguir o exemplo da Matemática, que nos permitiu melhorar nos estudos PISA e Timss, graças a um currículo ambicioso, bem estruturado e com avaliação."
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