Pais põem em causa a veracidade do exame de aluno de Viseu entregue pelo Ministério da Educação
“Há folhas que não estão rubricadas e há irregularidades nas respostas de escolha múltipla”, garantem.
“A prova que o meu filho fez não corresponde a nada disto”, garante Sofia Castro, mãe de Martim, o aluno de Viseu que teve 4,3 valores (de 0 a 20) no exame de Português, mas apenas referente a cerca de um terço do exame. A maior parte da prova, cerca de dois terços, esteve, alegadamente, desaparecida e em parte incerta até sábado, depois de o Tribunal Administrativo de Viseu ter dado 48 horas ao Ministério da Educação para encontrar o exame, sob pena de ter de pagar uma taxa compensatória de 100 euros por dia ao aluno lesado. Segundo contaram os pais, esta terça-feira, a prova completa foi enviada por email, no sábado, às 18h50, ou seja, dentro do prazo. Porém, surge agora um novo problema. Os pais garantem que o PDF da prova enviada não é a do Martim. “Há uma série de irregularidades gritantes que já foram comunicadas à escola e ao Júri Nacional de Exames. O que apareceu foi um PDF que não está rubricado pelo aluno. É um papel que tem umas cotações feitas à mão com irregularidades nas respostas de escolha múltipla. O que falta e o que está é muito grave”, assegura Paulo Duarte, pai e advogado que avançou com uma providência cautelar.
Os encarregados de educação enviaram, no domingo, um email para a escola a dar conta das irregularidades encontradas e a solicitar esclarecimentos. “Tudo o que nos era permitido esclarecer já o fizemos. Mais explicações terão de ser dadas pelo Júri Nacional de Exames”, diz ao CM Miguel Borges, diretor da Escola Secundária Alves Martins.
Para Paulo Duarte, o prazo para a reapreciação da prova não deve ainda ser contabilizado: “Enquanto não nos esclarecerem do que é que se passou e estas dúvidas persistirem, sobre a parte do exame que só agora nos foi entregue, o prazo deve ser congelado.” A mãe, pelos cálculos que fez com a ajuda de docentes, aponta que a nota final do filho seria 14,1 valores. “Se não for essa a nota e for outra, mais baixa, nós aceitamos. Não queremos que ele seja beneficiado, mas exigimos justiça”, disse Sofia Castro.
Ainda sem conhecer a nota final do exame, Martim candidatou-se esta terça-feira à primeira fase do ensino superior, por decisão do tribunal. “Com a decisão do tribunal na mão, vamos candidatar o Martim no curso de Educação Social, na Escola Superior de Educação de Viseu e esperar se entra ou não”, confia o pai. Desta forma, e ao contrário do que havia afirmado o ministro da Educação, Fernando Alexandre, o caso do aluno Martim está, afinal, longe de estar resolvido.
E TAMBÉM
EduQA considera duas respostas certas
O Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) considera certas duas respostas a uma pergunta de escolha múltipla do exame de Física e Química da 2.ª fase. Em causa está o item que pedia que identificassem como a pressão e a temperatura afetam o equilíbrio químico de uma mistura gasosa, refletido na sua cor.
Denunciada pressão
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) denuncia que os classificadores dos exames nacionais estão a ser pressionados para alterar as férias.
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