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Pais de aluno de Viseu apontam para "um equívoco" do ministro da Educação

Martim, cujo caso foi noticiado pelo Público no sábado, teve nota negativa no exame de Português do 12.º ano, mas não consegue aceder à totalidade da prova, impossibilitando o pedido de reapreciação.

04 de agosto de 2026 às 13:49

Os pais de um aluno de Viseu que recorreram à Justiça para ter acesso ao exame de Português dizem que o assunto não está resolvido, ao contrário do que disse na segunda-feira no parlamento o ministro da Educação.

"Na Assembleia da República, o senhor ministro afirmou que a situação do Martim já estava resolvida. Queremos acreditar que o senhor ministro não estaria na posse de todos os dados, uma vez que essa realidade, infelizmente, não corresponde à verdade", afirmou a mãe do aluno, Sofia Castro.

Martim, cujo caso foi noticiado pelo Público no sábado, teve nota negativa no exame de Português do 12.º ano, mas não consegue aceder à totalidade da prova, impossibilitando o pedido de reapreciação.

Questionado sobre a situação em causa, a propósito da qual o Tribunal Administrativo e Fiscal de Viseu deu ao MECI 48 horas para resolver a falha, Fernando Alexandre disse que a questão estava resolvida, apesar de a tutela ainda não ter sido notificada pelo tribunal.

Em conferência de imprensa esta terça-feira, a encarregada de educação disse querer "esclarecer um equívoco que se gerou" pelas palavras do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.

"De facto, foi-nos enviado um PDF, alegadamente o PDF que faltava, no entanto, detetámos várias irregularidades nesse PDF. Recebemo-lo no sábado, às 18:50, via e-mail, através da escola, e no domingo de manhã enviámos um email a apresentar, uma por uma, essas irregularidades, solicitando um esclarecimento, uma vez que levantávamos algumas dúvidas concretas", afirmou a mãe.

Sem esclarecer quais as dúvidas ou irregularidades em concreto, Sofia Castro disse que as questões apresentadas pelos pais "seguirão os trâmites normais" para "ver se são esclarecidas nas instâncias devidas".

A mãe disse que este processo está a causar um "absoluto desgaste com imensos prejuízos no bem-estar emocional familiar e, sobretudo, para o Martim".

"Não pretendemos qualquer benefício, qualquer vantagem, para o nosso filho. Queremos apenas a verdade, que a prova do Martim possa ser cabalmente apresentada, reapreciada no devido momento, para que possamos sair deste pesadelo", afirmou.

E acrescentou: "Se se concluir que a nota legítima não permite o acesso ao ensino superior, tranquilos, cá estaremos para uma próxima vez. Mais do que garantir o acesso ao ensino superior, que é um direito, queremos garantir que seja feita justiça".

O Tribunal Administrativo e Fiscal de Viseu decidiu a favor dos pais, obrigando o Ministério a resolver a falha no prazo de 48 horas, prazo que terminou esta terça-feira às 00h00.

Na segunda-feira, numa resposta à Lusa, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) disse que a prova foi remetida, na íntegra, à escola, que posteriormente a entregou à Encarregada de Educação.

E acrescentou que o prazo para eventual pedido de reapreciação da prova se contará a partir da data em que o aluno teve acesso à prova integral.

O EduQA avançou então que, até segunda-feira à tarde, não tinha recebido qualquer notificação judicial sobre o assunto, afirmação que os pais contradizem.

"Outro equívoco. O instituto Educa disse que tinha enviado e que tudo tinha sido feito e que não tinha sido notificado pelo Tribunal. Ora, desde sexta-feira que as entidades foram citadas. O Tribunal citou na sexta-feira passada quer o Ministério da Educação, quer o instituto EduQA, quer o de Ensino Superior, porque a nota do Martim ficou congelada e foi permitida a candidatura do Martim à primeira fase, até que a nota seja definitiva", afirmou o pai, Paulo Duarte.

Segundo o encarregado de educação, o que foi entregue "foi apenas a escola que entregou, e só entregou um PDF".

"Além das inconformidades todas que esse PDF traz e que já reclamámos, há outras questões por entregar, nomeadamente ao Tribunal. Entregaram zero ao Tribunal, até agora" e são questões, no entender dos pais, que "podem ser fundamentais para o esclarecimento" da prova.

O que receberam, especificaram, foi um PDF com "uma prova toda".

Questionados se era a do filho, a mãe disse que "a parte que diz respeito às respostas a computador, sim, certamente será".

"Relativamente ao PDF, subsistem algumas dúvidas, cujos esclarecimentos já solicitámos", reforçou Sofia Castro.

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