"Pensei que não ia voltar a ver os meus filhos": Moradores recordam perdas após tempestades que desmoronaram o País
Em Pombal já foram submetidas 1800 candidaturas para ajudas do Estado. Presidente da Câmara alega faltarem documentos enquanto a população aguarda respostas.
As costas de Alzira Louro pesam. São 73 anos de vida e o desgosto de ter perdido o marido há alguns meses. Agora, quase perdeu tudo no comboio de tempestades que desmoronou o País em janeiro e fevereiro. Alzira caminha pelas ruas de Casal Velho, em Pombal, com a tristeza de quem pensou nunca mais voltar a ver os filhos. Estava sozinha em casa quando a tempestade começou e arrasou tudo à passagem.
“Comecei a ouvir o vento, horrível, um barulho terrível. Os meus filhos vivem longe e eu pensei que ia morrer e não ia ver a minha família.” A voz treme e os olhos enchem-se de lágrimas. Hoje olha para uma casa que outrora foi cheia e que agora lhe falha algumas telhas, arrancadas pela tempestade. Alzira não sabia o que o destino ainda lhe reservava. Queria apenas gozar uma velhice em paz.
Em Alto dos Crespos, Jorge Calvarino também conta prejuízos na casa, terrenos e armazéns. Ajuda? Nem vê-la. “Já não sei o que podemos esperar. O que aqui passámos não vamos esquecer. Fiquei às escuras, sem luz.” Jorge precisa de uma máscara de oxigénio durante a noite e só lhe valeu um gerador para hoje estar vivo e recordar ao CM o que passou. Em Pombal já foram submetidas 1800 candidaturas para apoios do Estado - aqueles prometidos quando a chuva ainda caía. O sol dos últimos dias parece ter ajudado ao esquecimento.
Pedro Pimpão, presidente da Câmara de Pombal, é contido nas críticas. Não fala em burocracia. “Faltam documentos”, diz, justificando aquilo que os moradores consideram injustificável. O mesmo cenário repete-se a alguns quilómetros de distância, na Figueira da Foz. Madalena Adão viu as janelas de casa arrasadas pelo telhado de uma antiga universidade. Sem seguro do recheio resta-lhe a esperança dos apoios do Estado. Cláudia Rocha, vereadora municipal, diz que prejuízos em casas particulares ascendem a pelo menos dois milhões de euros.
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