Pobreza e justiça social permanecem na agenda da terceira visita papal a Angola

À chegada a Angola, Papa Leão XIV apelou à pacificação e união de esforços no combate à pobreza.

12 de abril de 2026 às 09:36
Pobreza e justiça social permanecem na agenda da terceira visita papal a Angola Foto: Ampe Rogério
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Terceiro líder da Igreja Católica a visitar Angola, o Papa Leão XIV chega dia 18 a Luanda, num momento em que o país procura a diversificação da economia, sem que estejam resolvidos problemas básicos que afetam a maioria dos angolanos.

Em comum, as visitas papais -- a de João Paulo II, em 1992, a de Bento XVI, em 2009, e, agora, a de Leão XIV -- têm a proximidade da realização de eleições e apelos à reconciliação, com as questões da pobreza e do respeito pelos direitos humanos a permanecerem como temas incontornáveis.

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João Paulo II visitou Angola meses antes das primeiras eleições pluripartidárias após a guerra civil pós-colonial (que durou 27 anos), numa deslocação de uma semana (de 04 a 10 de junho) em cujo balanço realçou que a Igreja católica tinha conseguido sobreviver "às investidas dos regimes marxistas" vigentes no continente até ao início daquela década e durante a qual falou de justiça, paz, respeito pelos direitos humanos e reconstrução do país.

Bento XVI esteve em Angola de 20 a 23 de março de 2009, meses depois das segundas eleições, realizadas seis anos após o fim da guerra entre o Governo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, que não aceitou os resultados de 1992), levando na agenda temas como a injustiça, a corrupção, a redistribuição da riqueza e o apelo à reconstrução nacional.

Leão XIV visita o país a um ano de novo ato eleitoral, no qual o atual Presidente, João Lourenço, não se poderá recandidatar à luz da Constituição, levando como lema "Peregrino da Esperança, Reconciliação e Paz".

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A primeira visita papal a Angola foi possível graças à assinatura do Acordo de Bicesse entre o Governo e a UNITA, em 1991, com João Paulo II a recordar o assassínio de sacerdotes e religiosas nos anos da guerra e a falar da degradação dos costumes e da falta de perspetivas provocadas pelo conflito.

Nessa deslocação -- a 55.ª ao estrangeiro e a 9.ª a África -, João Paulo II passou por seis cidades angolanas -- Huambo, Lubango, Cabinda, M'banza Congo, Benguela e Luanda - e ainda por São Tomé, numa visita marcada pelo colorido e pelo entusiasmo das multidões, com a rádio nacional a transmitir em direto todas as cerimónias religiosas, nas quais o Papa dirigiu saudações nas línguas locais.

Tal como João Paulo II, que na sua deslocação a Angola participou na abertura da segunda reunião preparatória do 1.º Sínodo Africano (1994), Bento XVI esteve na preparação da segunda assembleia do Sínodo para África (outubro de 2009), e ambos assinalaram os 500 anos da chegada dos primeiros missionários ao Reino do Congo, em 1491.

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Bento XVI, que concentrou a sua visita em Luanda, aonde afluíram fiéis vindos de vários pontos do país, esteve em Angola num momento em que a Igreja local tinha entre as suas grandes preocupações a crescente penetração das seitas, com a saída de crentes das suas fileiras.

A sua primeira visita a África -- 11.ª ao estrangeiro -, ficou marcada pelas polémicas declarações, proferidas nos Camarões, de que o problema da Sida não se resolvia com a distribuição de preservativos, até se agravava, num continente que tinha então mais de dois terços dos infetados no mundo.

À chegada a Angola, apelou à pacificação, à união de esforços no combate à pobreza - pedindo que não se esquecesse a multidão de angolanos que vivia abaixo da linha da pobreza - e ao combate à corrupção.

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Dezassete anos depois, Leão XIV volta a ser confrontado com alertas sobre a pobreza, a desigualdade, a justiça social.

Numa declaração sobre a visita do Papa, a igreja angolana recordou que ela ocorre no ano em que o país celebra 24 anos de paz e reconciliação, "um tema que ainda deve estar sobre a mesa".

O arcebispo de Luanda lamentou que ainda existam pessoas em Angola que se sintam "marginalizadas, secundarizadas e excluídas".

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"Nós precisamos de trabalhar para uma reconciliação efetiva a todos os níveis", disse Filomeno Vieira Dias e deixou um desejo: que Leão XIV nomeie, "na sua liberdade e sem pressão", um cardeal angolano, recordando que Angola é a cristandade mais antiga ao sul do Saara.

Leão XIV visita Angola de 18 a 21 de abril, no âmbito do périplo de 10 dias ao continente africano, que inclui também Argélia, Camarões e Guiné Equatorial.

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