Portugueses "fizeram desconfinamento muito contido" e o R está perto de 1, diz Marcelo Rebelo de Sousa
"Portugueses foram sensíveis aquilo que lhes foi pedido", referiu o Chefe de Estado.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou esta quinta-feira que o desconfinamento em Portugal tem sido "muito contido" e acrescentou que "os portugueses foram sensíveis aquilo que lhes foi pedido sobre abertura em pequenos passos".
O Presidente da República falava aos jornalistas depois da reunião no Infarmed, em Lisboa, que juntou o primeiro-ministro, representantes de partidos e parceiros sociais e especialistas para analisar a situação epidemiológica da Covid-19.
Relativamente ao R, o indicador de transmissão, o Chefe de Estado afirmou que o R em Portugal "andou à volta de 1% nos últimos cinco dias, ligeiramente aquém da média nacional, 0.98%". "O R, o indicador de transmissão, não mudou muito nos países que já desconfinaram", destacou Marcelo relativamente à situação verificada noutros países europeus.
"Os passos dados estão a ser dados a um ritmo que corresponde ao diálogo entre portugueses e autoridades de saúde", saudou Marcelo Rebelo de Sousa, que destacou a diminuição do número de doentes internados e dos casos em cuidados intensivos.
"Falar de uma luz ao fundo do túnel é falar de uma realidade que os próprios portugueses vão construindo", incentivou
Marcelo Rebelo de Sousa salientou que "não passaram ainda 15 dias, o que significa seis dias de incubação e oito dias de comunicação, de reporte às autoridades sanitárias", desde que se iniciou essa reabertura por etapas, após 45 dias de estado de emergência.
"Como o confinamento, a contenção continuou muito elevada, nós encontramos um processo sem grandes alterações", acrescentou, referindo que o indicador de transmissão da doença "anda à volta de 1% na média dos últimos cinco dias, ligeiramente aquém a nível nacional, 0,98", e "mais elevado na região de Lisboa e Vale do Tejo do que na região Centro, e aí mais elevado do que na região Norte, onde é o mais baixo, 0,91".
Não havendo "conclusões firmes" por enquanto, o Presidente da República apontou os dias 18 de maio e 01 de junho, para os quais estão previstas as próximas etapas desta reabertura gradual, como "dois momentos significativos" que Portugal tem pela frente.
O chefe de Estado mencionou que está previsto que no dia 18 de maio haja "uma série de aberturas, quer em termos escolares, quer em termos de restauração, quer em termos de estabelecimentos comerciais", e para 01 de junho "o regresso ao trabalho de muitos e muitas que se encontram em teletrabalho, com mais aberturas em matérias de sistema escolar e também de comércio".
Esta foi a sexta reunião alargada no Infarmed sobre a evolução da covid-19 em Portugal e a primeira após o fim do estado de emergência, decretado pelo Presidente da República, que vigorou em Portugal entre 19 de março e 02 de maio, do qual se transitou para uma situação de calamidade declarada pelo Governo.
Como aconteceu nas reuniões anteriores, foi Marcelo Rebelo de Sousa quem resumiu aos jornalistas o que se discutiu, descrevendo esta sessão como "mais completa, se possível", e adiantando que "permitiu ver a evolução em vários países que já desconfinaram, mas também se debruçou sobre outros temas muito variados, desde internamentos, cuidados intensivos, até testes".
"O desconfinamento nesses países não teve consequências sensíveis em termos de surto", apontou, ressalvando, contudo, que "são conclusões provisórias".
O chefe de Estado congratulou-se com a realização destas reuniões com especialistas, que se iniciaram em março por iniciativa do primeiro-ministro, António Costa, com um objetivo de partilha de informação, alargadas ao presidente da Assembleia da República, líderes partidários, sindicais e patronais, inicialmente com frequência semanal e agora quinzenais.
"É muito positivo haver a realização destas sessões para monitorizar também a par e passo a evolução da pandemia em si mesma e das suas repercussões sociais", disse.
As próximas reuniões serão "na primeira semana de junho, para fazer a avaliação da abertura a partir do dia 18", e "na terceira semana de junho, a determinar, para fazer avaliação dos efeitos da abertura a partir do dia 01 de junho", referiu.
"Devemos continuar a ter confiança no desconfinamento gradual", afirma PS
"Todos os indicadores permitem ilustrar que o desconfinamento, pese embora estarmos a assentar esta análise sobre dados que são muito precários, permitem concluir que devemos continuar a ter confiança neste processo de desconfinamento gradual, objeto de observação e de controlo no modo como implementamos, como monitorizamos e avaliamos as medidas", afirmou o dirigente após a reunião.
Na ótica do socialista, ainda que os dados conhecidos hoje "não permitam ainda olhar para uma tendência consolidada", eles "ilustram um nível de confiança relativo ao desconfinamento".
"Ou seja, foi possível verificar que, pese embora termos realizado o desconfinamento gradual das atividades sociais e também económicas, os indicadores são positivos, nomeadamente os indicadores relativos ao recurso às unidades hospitalares, ao recurso às unidades de cuidados intensivos e também relativamente ao indicador de contágio, assim como a redução no número de mortes", explicou.
Por isso, José Luís Carneiro assinala que "daqui se pode extrair" que Portugal deve "continuar a fazer este percurso de caminhar e medir".
O socialista pediu também que os portugueses adotem uma "cultura de compreensão e solidariedade", evitando "comportamentos que estigmatizem" quem tiver contacto com a doença, porque "o mais natural, com o desconfinamento, é que haja uma progressão" do número de infetados.
PCP alerta para "drama" de "milhares de trabalhadores"
"Neste misto de incerteza e de confiança, acreditamos ser possível dobrar este cabo das Tormentas e voltarmos, enfim, à normalidade necessária, ao crescimento económico, ao desenvolvimento económico, à valorização dos salários, das pensões e das reformas", afirmou Jerónimo de Sousa aos jornalistas.
O líder comunista manifestou-se, porém, preocupado com as dificuldades por que passa "milhares de portugueses", com cortes de rendimentos e que "precisam de respostas" sociais de apoio, contrariando aquela "frase" de que "estamos todos no mesmo barco".
Para sexta-feira, prevê-se o Conselho de Ministros para fazer a avaliação das medidas da primeira fase de desconfinamento, 04 de maio, devendo ser anunciadas as da segunda fase, como o regresso às aulas dos alunos dos 11.º e 12.º anos de escolaridade ou a reabertura de creches, no dia 18 de maio, segunda-feira. A terceira fase começa a 1 de junho.
Na semana passada, o primeiro-ministro afirmou que "as normas de libertação de confinamento entrarão em vigor de 15 em 15 dias" e que, antes de se avançar para a seguinte, as medidas serão avaliadas.
O objetivo do Governo, com este calendário faseado de reabertura, "é medir em cada 15 dias os impactos da medida anterior, vendo se é possível ou não dar mais um passo", explicou.
Na semana passada, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aproveitou o final da reunião para anunciar que o estado de emergência acabaria a 02 de maio, mas avisou que isso "não é fim do surto" de covid-19, rejeitando "qualquer facilitismo" nesta nova fase em que "os pequenos passos" serão avaliados permanentemente.
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