População dos Açores sentiu 148 sismos dos mais de 20 mil registados na região em 2025
Maioria da sismicidade localizável centrou-se no vulcão de Santa Bárbara, na ilha Terceira, a sul da ilha de São Miguel e na zona do Vulcão do Pico Alto e do Vulcão Guilherme Moniz, na ilha Terceira.
Os Açores registaram mais de 20 mil sismos em 2025, dos quais 148 foram sentidos pela população, segundo uma carta de sismicidade divulgada esta quarta-feira pelo Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA).
"Relativamente à sismicidade sentida, esta ocorreu, predominantemente, nos meses de junho e novembro, com 38 eventos em cada mês, totalizando 148 sismos sentidos durante o ano de 2025", adiantou o CIVISA, acrescentando que o elevado número de sismos sentidos "é justificado pela atividade sísmica registada no vulcão de Santa Bárbara".
O CIVISA publicou esta quarta-feira, na sua página, a Carta de Sismicidade dos Açores de 2025, em colaboração com o Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR) da Universidade dos Açores.
Em 2025, o CIVISA "registou 20.753 sismos, dos quais 12.971 obtiveram localização hipocentral e encontram-se projetados na Carta de Sismicidade".
Nos restantes eventos não foi possível obter localização, por "serem muito pouco energéticos e não terem sido detetados por um número suficiente de estações".
A maioria da sismicidade localizável centrou-se no vulcão de Santa Bárbara, na ilha Terceira, a sul da ilha de São Miguel e na zona do Vulcão do Pico Alto e do Vulcão Guilherme Moniz, na ilha Terceira.
Segundo o CIVISA, "o maior número de sismos foi registado no mês de novembro, tendo contribuído em grande parte para este número, a crise sismovulcânica no Vulcão de Santa Bárbara, na ilha Terceira".
Desde junho de 2022 que a atividade sísmica no Vulcão de Santa Bárbara se encontra "acima dos valores normais de referência".
O nível de alerta do Vulcão de Santa Bárbara, que se encontra atualmente em V2 (sistema vulcânico em fase de instabilidade), já foi elevado para V3 (sistema vulcânico em fase de reativação), em junho de 2024 e em novembro de 2025, devido ao incremento da atividade sísmica e à deteção de deformação crustal.
O sismo de maior magnitude sentido na região em 2025 ocorreu no dia 02 de agosto, na zona sismogénica da Falha Glória, com epicentro a cerca de 119 quilómetros de Santa Maria.
Com uma magnitude de 5,5 na escala de Richter, foi sentido com intensidade máxima IV/V, na escala de Mercalli Modificada, no concelho de Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, e no concelho da Povoação, na ilha de São Miguel.
Já o sismo sentido com maior intensidade foi registado no dia 19 de janeiro, no Vulcão de Santa Bárbara.
Teve uma magnitude de 4,4, na escala de Richter, mas foi sentido com intensidade máxima VI, na escala de Mercalli Modificada, nas freguesias de Serreta, Raminho, Altares, Doze Ribeiras, Santa Bárbara, Cinco Ribeiras, São Bartolomeu, São Mateus, Terra Chã e Biscoitos, na ilha Terceira.
Segundo a Carta de Sismicidade dos Açores de 2025, a zona sismogénica da Falha Glória foi a que apresentou maior libertação de energia, por ter sido responsável por eventos de magnitude mais elevada, ainda que o vulcão de Santa Bárbara tenha registado um maior número de sismos.
Desde 2018 que o CIVISA publica anualmente a Carta de Sismicidade dos Açores, para "promover uma maior consciencialização da população relativamente à atividade sísmica que ocorre na região".
Na escala de Richter, os sismos são classificados segundo a sua magnitude como micro (menos de 2,0), muito pequenos (2,0-2,9), pequenos (3,0-3,9), ligeiros (4,0-4,9), moderados (5,0-5,9), fortes (6,0-6,9), grandes (7,0-7,9), importantes (8,0-8,9), excecionais (9,0-9,9) e extremos (quando superior a 10).
Um sismo de intensidade V na escala de Mercalli Modificada é considerado forte e de intensidade VI bastante forte, segundo a página do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Na intensidade V, os sismos são sentidos fora de casa, pode ser avaliada a direção do movimento, pequenos objetos deslocam-se ou são derrubados, as portas oscilam e os quadros movem-se.
Já na intensidade VI, os sismos são sentidos por todos, os objetos caem das prateleiras e os quadros caem das paredes, as mobílias movem-se ou tombam, os estuques fracos e as alvenarias do tipo D fendem e as árvores e arbustos são visivelmente agitados ou ouve-se o respetivo ruído.
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