Portugal avança na saúde mas não na educação nos objetivos de desenvolvimento da ONU

Avaliação consta do relatório Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - Agenda 2030, Indicadores para Portugal -- 2015-2025, do Instituto Nacional de Estatística (INE).

05 de junho de 2026 às 14:14
Portugal avança na saúde mas não na educação nos objetivos de desenvolvimento da ONU
Partilhar

Portugal registou entre 2015-2025 uma "evolução globalmente positiva" no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável "Saúde de qualidade", mas o desempenho foi "globalmente desfavorável" no da "Educação de qualidade", indicou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística.

A avaliação consta do relatório Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) - Agenda 2030, Indicadores para Portugal -- 2015-2025, do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Pub

O estudo, que apresenta uma "análise sintética da evolução e do desempenho dos 17 ODS no contexto nacional", precisa que 64% dos indicadores relativos à saúde mostram um "progresso favorável, refletindo avanços consistentes na promoção da saúde e do bem-estar".

São destacados "progressos relevantes" na saúde materno-infantil, com "reduções expressivas" da mortalidade materna, neonatal e infantil, bem como "elevada cobertura de partos assistidos por profissionais qualificados".

Ao nível do combate às doenças transmissíveis, "o panorama é globalmente positivo", com "reduções significativas na incidência de VIH, da tuberculose" e outras, com exceção da hepatite B, que mostra uma "tendência desfavorável que requer acompanhamento".

Pub

Relativamente às doenças não transmissíveis, registaram-se "melhorias moderadas na redução da mortalidade prematura", enquanto a taxa de suicídio apresentou um "decréscimo mais acentuado" e a mortalidade por acidentes rodoviários "manteve uma trajetória descendente".

Ao contrário, aumentaram as mortes associadas a condições ambientais inadequadas e por envenenamento acidental.

Ao nível do sistema de saúde, o relatório aponta "um reforço da capacidade instalada", com mais profissionais e uma melhoria da cobertura dos cuidados de saúde primários, assinalando que persistem "desafios relacionados com o acesso universal aos cuidados de saúde".

Pub

No caso do ODS "Educação de qualidade", apenas 44,4% dos indicadores registam "evolução positiva", "enquanto 33,3% apresentam evolução negativa e 22,2% não são passíveis de avaliação, revelando um panorama heterogéneo e marcado por limitações de informação".

Segundo o INE, "os principais progressos concentram-se no acesso e na conclusão escolar", verificando-se melhorias nas taxas de transição no ensino básico e secundário e consolidação na "universalidade da educação pré-escolar".

"No ano letivo 2023/2024, a taxa de conclusão atingiu 96,1% no ensino básico e 90,4% no ensino secundário, aproximando-se das metas europeias", refere o relatório, indicando ainda uma evolução positiva ao nível das competências digitais".

Pub

Os retrocessos existem ao nível da "qualidade das aprendizagens", expressos nos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA): "A proporção de alunos com competências mínimas em leitura diminuiu de 82,8% em 2015 para 76,8% em 2022" e em matemática, "de 76,2% para 70,2%".

"Persistem igualmente fragilidades ao nível das infraestruturas tecnológicas nas escolas, nomeadamente no acesso à internet e na disponibilidade de computadores para fins pedagógicos nas escolas do Continente", acrescenta.

De acordo com o relatório, a evolução dos indicadores ODS (estabelecidos pela ONU) em Portugal entre 2015 e 2025 foi "globalmente positiva" e a sua maioria "apresentou uma evolução favorável, refletindo progressos significativos ou moderados no sentido das metas estabelecidas".

Pub

No entanto, "observa-se uma proporção relevante de indicadores com evolução desfavorável, evidenciando retrocessos ou dinâmicas contrárias às metas definidas", como é o caso do ODS "Educação de qualidade".

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar