Preço da sardinha duplica nas lotas algarvias em relação a 2025

Certificação e procura das conserveiras fez duplicar preço de venda de um ano. Inflação do custo deste peixe pode vir a repercutir-se no preço final de venda ao consumidor.

12 de junho de 2026 às 01:30
Porto de Pesca do Arade, em Portimão, tem recebido muitas toneladas de sardinha este ano. Foto: Direitos Reservados
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O Porto de Pesca do Arade, em Portimão, tem recebido muitas toneladas de sardinha nos últimos dias. Estando com o calibre e a gordura desejadas para esta altura do ano, o preço médio de venda da sardinha nas lotas algarvias já duplicou em relação ao mesmo período do ano passado. “Hoje [esta quinta-feira] o preço por quilo rondou os dois euros em algumas lotas, este ano, regra geral, ainda não baixou de 1,50 euros. No ano passado o preço rondava os 70 cêntimos”, disse, ao CM, Fábio Mateus, representante da BARLAPESCAS – Cooperativa dos Armadores de Pesca do Barlavento. Como Marrocos registou “um declínio de stock”, as conserveiras têm vindo a Portugal “comprar a sardinha nas lotas” portuguesas. “O facto de a sardinha também já ser certificada e haver outros mercados para trabalhar também tem influência”, acrescenta.

70

Cêntimos
Era o preço médio de venda em lota da sardinha em junho do ano passado. Vários fatores fizeram aumentar o preço.

Esta quinta-feira, Fernando Duarte foi para o mar com a expectativa de trazer muita sardinha para venda. Mas a rede de pesca rompeu-se e trocou-lhe as voltas, acabando por trazer menos peixe do que esperava. “Ainda assim, temos apanhado muita sardinha. Não nos podemos queixar do preço. É bom porque o setor também viu os custos da operação aumentar com a subida do preço dos combustíveis”, adianta.

Em mês de Santos Populares, a inflação do preço de venda em lota poderá repercutir-se no valor final de venda aos consumidores.

SAIBA MAIS

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Corte nas quotas de sardinha

Portugal tem este ano uma quota de pesca de sardinha de 33446 toneladas, uma redução de 960 toneladas em relação a 2025. A pesca da sardinha é gerida de forma conjunta por Portugal e Espanha, de acordo com o plano plurianual para o período de 2021 a 2026. A campanha deste ano reabriu a 4 de maio, um mês depois do início da campanha em 2025. 

Certificação por práticas sustentáveis

A sardinha portuguesa foi reconhecida, no ano passado, com o selo azul MSC (Marine Stewardship Council), que distingue as pescarias com práticas sustentáveis. A espécie recuperou a distinção que tinha perdido há uma década. Em Portugal, na última campanha, foram colocadas no mercado de retalho 16 mil toneladas de pescado com o selo azul MSC.

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