Professores devem ter mais formação para combater discurso de ódio, considera associação

Declaração surge na sequência do alerta deixado pela Comissão Europeia sobre "o crescente impacto" do discurso do ódio em crianças e jovens.

29 de maio de 2026 às 23:45
Declaração surge na sequência do alerta deixado pela Comissão Europeia sobre "o crescente impacto" do discurso do ódio em crianças e jovens.
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A associação nacional de diretores de escolas públicas defendeu esta sexta-feira que os professores devem ter mais formação para combater o aumento do número crianças difusoras de discursos de ódio e outras organizações responsabilizaram familiares, partidos e influencers pelo fenómeno.

"É evidente que era necessário haver formação nas escolas para, nos diversos momentos, por exemplo na disciplina de cidadania e desenvolvimento, esta temática ser abordada", disse à Lusa o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima.

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O responsável falava a propósito do alerta deixado pela Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância sobre "o crescente impacto" do discurso do ódio em crianças e jovens, sobretudo 'online' e nas escolas, e para os "níveis alarmantes" de discursos discriminatórios na Europa, no seu relatório anual de atividades de 2025, divulgado na quinta-feira.

Segundo o relatório, o discurso de ódio predominante nos países europeus é o xenófobo, existindo outras tipologias que levam a comportamentos discriminatórios, como a religião, cidadania, orientação sexual e identidade de género.

As crianças e os jovens podem ser potenciais vítimas e também difusoras do discurso de ódio, segundo a comissão.

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Em Portugal, o presidente da ANDAEP confirmou que há cada vez mais crianças que são difusoras dessas mensagens de ódio, "porque é aquilo que muitas vezes se vê na sociedade" e que também são vítimas desse discurso, admitindo que não está surpreendido com as conclusões do relatório.

Filinto Lima disse que é difícil combater o fenómeno e indicou que as escolas "tentam fazer o possível e às vezes até o impossível para minimizar os discursos de ódio".

"Nós tentamos remar contra a maré. Temos dificuldade. Por isso é que muitas vezes entidades externas são chamadas às escolas para falar sobre essa temática", disse o responsável, dando o exemplo do programa Escola Segura da Polícia de Segurança Pública (PSP), que pretende prevenir comportamentos de risco e reduzir comportamentos potenciadores de insegurança em ambiente escolar.

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O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira, admitiu também à Lusa um aumento do discurso de ódio entre as crianças e os jovens, referindo que o comportamento dos alunos é um reflexo do que ouvem nas suas casas.

"O discurso que os miúdos têm na escola, mesmo político, é um discurso que vem de casa quase sempre. É uma opinião que é veiculada pelas famílias e que os alunos trazem para a escola", disse à Lusa Manuel Pereira.

O presidente da ANDE responsabilizou também os partidos políticos, nomeadamente de extrema-direita, pelo discurso de ódio replicado pelas crianças, "que a comunicação social, de alguma forma, também transmite".

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A presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Mariana Carvalho, também concorda que há um aumento de crianças difusoras de discursos de ódio, indicando que existem ideologias e criadores de conteúdo, muitas vezes ?online?, que influenciam os menores para um tom de intolerância.

A presidente da Confap disse à Lusa que é preciso criar estratégias para perceber que notícias são verdadeiras e falsas e quais são os valores que se desejam para a sociedade.

"Temos que aumentar essas competências e esses valores nas nossas crianças e jovens", declarou.

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Para Mariana Carvalho é preciso criar equipas multidisciplinares nas escolas "para prevenir todas estas situações de intolerância e de discursos de ódio".

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